VOLTA AS AULAS /

Sábado, 01 de Agosto de 2020, 10h:11

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Resultado de pesquisa revela que pais não querem o retorno das atividades escolares presenciais em Primavera do Leste

52,95% dos pais que responderam a pesquisa não mandariam os filhos à escola


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Jaqueline Hatamoto

 

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Mais da metade dos pais de alunos de escolas públicas e privadas de Primavera do Leste, não querem o retorno das aulas presenciais em meio à pandemia do Novo Coranavírus. A pesquisa foi desenvolvida por um professor e encaminhada pelas instituições aos pais da cidade e indicou que 52.95% não querem que os filhos voltem para a escola. O link para participação ficou disponível por 15 dias e foi encerrado na quarta-feira (29).

Segundo o professor de educação física Ricardo Moura, a ideia de realizar a pesquisa surgiu após ele ver as movimentações, organização e preparação de algumas escolas para uma possível volta as aulas. “Eu via muita gente falando de como seriam as voltas as aulas. Como as escolas agiriam nesta volta as aulas. Como a escola teria condições de receber tantos alunos, com essa série de exigências com as organizações de saúde. Eu via também muitos pais dizendo que não mandariam os filhos. Aí eu pensei: ‘poxa as escolas às vezes vão se preparar para receber um contingente de alunos, que não vai acontecer. Então eu decidi lançar essa pesquisa no município para saber quantos por cento de alunos iriam para as escolas caso as aulas voltassem”, explicou o professor.

1879 pais participaram da pesquisa, e 995 o equivalente a 52,95% dos participantes, disseram que não mandariam seus filhos para a escola caso as atividades presenciais retornassem. 31.99% querem que as aulas presenciais retornem e 15,06 % talvez considerem essa possibilidade. “A resposta, não me surpreendeu muito, eu acho que isso não é um problema de desconfiança dos pais em relação as instituições de ensino ou aos órgãos de saúde, mas sim uma insegurança de maneira geral que sentem. A minha intenção era que as escolas tivessem uma noção caso precisassem retornar as atividades já em agosto”.

Apesar de o resultado ter sido dentro do esperado pelo professor, ele avaliou a participação dos pais como pequena, já que esperava um número maior de votantes. “Eu esperava uma participação maior dos pais. Não sei se por receio das repostas algumas instituições de ensino não divulgaram o link e por isso os pais não tiveram acesso, ou se os pais pensaram que teria algum peso na volta as aulas ou não, e ficaram com medo de responder. Apesar de que mesmo sendo pequena a participação, já dá para ter uma noção do que a população está pensando, acredito que o percentual seria o mesmo. E os demais pais também responderiam não”, explicou o educador.

O levantamento foi feito com pais e responsáveis por estudantes de 12 instituições, sendo elas privadas e públicas. A pesquisa questionou os entrevistados sobre se eram a favor ou não do retorno das atividades presenciais, e depois o responsável deveria assinalar se o aluno era da rede pública ou privada e que grau estava cursando.

A secretária de educação Adriana Tomasoni, ressaltou a importância da pesquisa, e destacou que o resultado respalda o que vem sendo acompanhado pela gestão. E que independente do resultado, as atividades presenciais só vão retornar caso seja validada pelos órgãos de saúde. “Saber a opinião dos pais é importante e o resultado, na verdade, respalda o que a gente já vem acompanhando. O pessoal não deseja neste momento a exposição das crianças a nenhum tipo de perigo. O que estamos levando em conta neste momento específico são as orientações sanitárias, as orientações da Secretaria de Saúde, isso para nós é o que tem contado para esse retorno. Até porque a resolução do conselho ela também fala desta situação, que os Órgãos de controle têm que autorizar, que o decreto tem que permitir. Então estamos levando em consideração isso para o retorno, mas já sabendo que nossa clientela, não deseja o retorno presencial”, expôs. 

O não retorno das atividades presenciais também não é um desejo dos professores. Segundo Tomasoni, caso as atividades voltassem agora, muitos professores não teriam condições de voltar para as salas de aula neste momento. “Temos mais de 30% dos profissionais no grupo de risco que também se houvessem um retorno não retornariam as atividades escolares. E os professores também não desejam essa volta agora”, finalizou a secretária de educação. 

Apesar de a pesquisa já ter sido encerrada, não está descartada a possibilidade de reabertura da votação, caso haja solicitação por parte da gestão municipal ou das escolas.

O decreto 1942, que altera o decreto 1938 e regulamenta novas medidas temporárias de prevenção e enfrentamento da propagação decorrente do novo coronavirus traz uma nova data limite para suspensão das aulas, que antes estavam suspensas por tempo indeterminado. No artigo primeiro do referido decreto, trata da suspensão das atividades escolares que seguem suspensas até o dia 16 de agosto. O que chama atenção no texto, é que o artigo se refere a atividades presenciais e híbridas, no caso estariam também suspensas as atividades presenciais com transmissão online, onde o aluno poderia participar das aulas tanto presencialmente quanto pela internet. 

AULAS NA REDE ESTADUAL

A previsão de retorno das aulas não presenciais da rede estadual é para o dia 3 de agosto. O plano estratégico elaborado pela Seduc também traz o planejamento para o retorno das aulas presenciais.

Porém, conforme destacou a secretária de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, ainda não há previsão para o retorno dessas aulas. Essa definição será validada entre o Estado e os municípios.

Além da AMM e do Ministério Público, a apresentação por webconferência também será feita aos prefeitos que quiserem participar, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-MT) e União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme-MT).

De acordo com a secretária, o plano estratégico foi construído com embasamento e amparo legal na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nos decretos dos Governos Federal e Estadual, no parecer do Conselho Nacional de Educação e na Resolução do Conselho Estadual de Educação.

As aulas não presenciais serão organizadas em cinco etapas: produção do material escolar, com a organização semanal de estudos e planejamento do professor; disponibilização do material escolar; atendimento ao estudante; intervenção pedagógica; e registro em tempo real no final do semestre.

Essas aulas serão disponibilizadas na plataforma digital Aprendizagem Conectada (online) e com materiais apostilados impressos (off-line). A Seduc também vai continuar ofertando as videoaulas pela TV Assembleia.

O planejamento também prevê a contratação dos professores interinos, que passarão por qualificação sobre o uso de tecnologias que serão usadas nas aulas não presenciais, como o uso de recursos tecnológicos da Microsoft Teams.

 

*ERRATA*

 

 

Em relação à reportagem eu circulou na edição de hoje (31), no Jornal O Diário, intitulada *“Resultado de pesquisa revela que pais não querem o retorno das atividades escolares presenciais em Primavera do Leste”*. O Centro Educacional Primavera – CEP, informa que não participou da pesquisa e/ou enviou qualquer endereço eletrônico (link) da pesquisa para os pais/responsáveis. Ademais, um questionário interno, neste sentido, está em processo de elaboração pela escola, para assim, buscar saber da opinião de seus clientes, pais e responsáveis.

 

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