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Quarta-feira, 17 de Junho de 2020, 08h:34

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Primavera do Leste e Campo Verde registram sete mortes por Covid-19

Segundo Secretaria de Saúde, todas as vítimas possuíam alguma comorbidade


Imagem de Capa
Wellington Camuci

60 dias depois do primeiro caso confirmado, Primavera do Leste entrou para a lista de municípios com mortes registradas em decorrência da Covid-19, doença causada pelo Novo Coronavírus. Campo Verde registrou uma morte pela doença no dia 15, um mês depois do primeiro caso confirmado. Porém, uma outra morte está sendo investigada.

Uma triste coincidência, o primeiro registro da doença em Primavera do Leste, foi em 07 de abril e a primeira morte em 07 de junho, exatos dois meses. Uma semana depois, no sábado (13), a segunda morte foi informada durante a manhã. Nos dois dias seguintes outras duas mortes foram confirmadas, o último óbito registrado foi na quarta-feira (17), totalizando cinco mortes.

Severino Pedroso, 72 anos, era hipertenso e foi atendido em Primavera e depois transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Rondonópolis no dia 01 de junho. Infelizmente, o estado de saúde do idoso se agravou e ele morreu na manhã de domingo (07), seis dias depois de ser internado.

A notícia assustou muita gente na cidade e levou a prefeitura a tomar medidas mais enérgicas, como o fechamento do comércio às 19 horas e o toque de recolher “branco” a partir deste horário. Todas as medidas eram tentativas para frear a contaminação e diminuir a quantidade de pessoas internadas.

Na madrugada de sábado (13), um outro idoso também não resistiu a doença. José dos Santos, 67 anos, era servidor municipal aposentado, tinha problemas pulmonares e deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no dia 07 de junho. No mesmo dia foi transferido para a UTI do Hospital Regional de Rondonópolis.

Ainda no sábado, Primavera teve a terceira vítima fatal do Covid-19. Rosângela Fernandes tinha 54 anos e também deu entrada na UPA no dia 07, mas foi transferida para a UTI da Santa Casa em Rondonópolis. Ela era hipertensa. A morte dela foi confirmada na manhã de domingo (14).

Já na segunda-feira (15), mais uma morte foi confirmada pelo Comitê de Enfretamento ao Coronavírus. O empresário do ramo de transportes Ari Ferreira, 52 anos. Segundo boletim ele era hipertenso e diabético. Ari procurou ajuda médica no Centro Médico das Nações no dia 29 de maio e foi transferido para o único leito para pacientes com Coronavírus da UTI do Hospital das Clínicas em Primavera, onde ficou internado por 17 dias.

Na quarta-feia (17), a morte de Joselita dos Santos, 65 anos, ela foi internada no dia 05 de junho. Joselita é irmão de José dos Santos que moreu no dia 13. Ela também era servidora pública aposentada.

 

ACESSO AOS NOMES

Vale destacar que a Secretaria de Saúde do Município de Primavera do Leste não divulga o nome das vítimas, porém, a reportagem confirmou o nome das pessoas com familiares e amigos.

A justificativa dada para a não divulgação é: “questões éticas e de proteção física e moral”.

 

CAMPO VERDE

Campo Verde registrou a primeira morte na segunda-feira (15). Um homem, que não teve a identidade revelada, 79 anos, foi atendido a UPA de Rondonópolis e depois transferido para o Hospital Regional. Ele era hipertenso.

A segunda morte registrada em Campo Verde, ainda é tratada como suspeita de Covid-19.

A vítima trata-se de um homem, 71 anos, estava internado no Hospital Municipal Coração de Jesus e morreu na manhã de domingo (14). O idoso chegou a fazer dois testes rápidos que apontaram resultado negativo, porém, um exame RT-PCR foi realizado e o resultado deve sair nos próximos dias.

Seguindo o que está acontecendo no estado e no país, todas as vítimas da Covid-19 em Primavera e em Capo Verde, possuem pelo menos uma comorbidade, principalmente, hipertensão, o que tornou, junto com a diabetes, a maior causa de agravamento e morte do coronavírus.

 

VELÓRIOS

Quando uma pessoa morre em decorrência da Covid-19 ou com suspeita da doença, várias medidas precisam ser adotadas para evitar propagação e/ou contaminação do vírus, entre as medidas está a proibição de velório. A decisão acaba gerando um sofrimento maior para as famílias por não poderem velar seus entes queridos.

Durante todo o período de pandemia, estas medidas foram sendo alteradas, se tornando mais restritivas de um lado e mais flexíveis de outro. Além do caixão ser lacrado e envolto em plástico, hoje, o corpo deve ser enterrado logo após a liberação nas unidades hospitalares.

Porém, desde quarta-feira (10), dentro do estado de Mato Grosso, o corpo pode transladado para o município de origem para que seja enterrado. Até então o corpo era enterrado na cidade em que estivesse morrido. Esse fato aconteceu com a primeira vítima de Primavera que teve que ser sepultado em Rondonópolis, já que estava internado no Hospital Regional.

A medida, que traz o mínimo de conforto para a família, segue várias recomendações que devem ser adotadas e respeitadas. O enterro deve acontecer em até 24 horas do óbito e o corpo deve ser levado direto para o sepultamento.

Mas com a pandemia, não foi somente o sepultamento das vítimas do coronavírus que sofreram mudanças, em Primavera a realização de velórios está restrita a, no máximo, 15 pessoas, com a utilização de máscara, álcool gel e respeitando todas as medidas de restrição.

Já em Campo Verde, o velório de outras causas de morte pode acontecer com até 20 pessoas.

 

NÚMEROS DA COVID-19

Primavera ultrapassou os 300 casos de Covid-19. O avanço dos casos é acelerado na cidade, nos últimos dias, as confirmações passaram de 10 por dia. Somente no dia 15, foram 20 novas confirmações, o maior número desde a confirmação do primeiro caso em 07 de abril.

No mês de abril foram registrados apenas nove casos de coronavírus na cidade, maio teve 103 registros, chegando a 112. Durante a primeira quinzena de junho foram registrados mais 189, uma média de 11,81 casos por dia. O aumento em junho representa mais de 168%.

Com isso, Primavera passou a integrara lista de municípios com transmissão comunitária, que é quando não é possível identificar a origem do vírus, ou seja, o vírus está alastrado na cidade.

Dos casos confirmados, mais da metade já estão recuperados, são 210 pessoas (69,76%) que já passaram pelo período de isolamento e não apresentam mais sintomas. Há ainda 73 pessoas em isolamento domiciliar, 11 em enfermaria e três em UTI.

 

CAMPO VERDE

Campo Verde, por sua vez, teve um rápido aumento de casos e em menos tempo de contágio, do dia 12 de maio, dia em que foi confirmado o primeiro caso, até a última segunda-feira (15), foram confirmados 150 casos, uma média de 4,54 casos por dia. 71,33% dos casos confirmados já estão recuperados e não há registro de nenhum paciente hospitalizado.

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