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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019, 07h:00

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Polícia Militar, em parceria com Senac, faz entrega de certificados a mulheres do projeto Divvan

Alunas que foram vítimas de violência doméstica receberam capacitação de manicure e pedicure


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Pérsio Souza

A Polícia Militar de Primavera do Leste, em parceria com o Senac, fez a entrega de 13 certificados a mulheres que participaram do curso de Manicure e Pedicure. A capacitação teve duração de três meses, na qual as mulheres puderam contar com uma rede de apoio através das secretarias de Saúde e Assistência Social, Sala da Mulher, Ministério Público e Conselho da Mulher.

As alunas fazem parte do Projeto Divvam, uma iniciativa da Polícia Militar, que retornou neste ano. Esta iniciativa tem como objetivo atender vítimas de violência doméstica de maneira humanizada, de forma que ofereça independência e dignidade a estas mulheres.

Inicialmente, foram encaminhadas 17 mulheres para a formação do curso, no entanto, durante o processo quatro desistiram. As 13 restantes permaneceram até o fim e receberam certificação nesta segunda-feira (14). As aulas foram ministradas por Andreza Rosa e coordenadas por Miriam Tramarim.

“Sei que não foi fácil de ela estarem presentes no curso. Cada uma tem as dificuldades, mas elas foram persistentes. Vou levar o carinho que recebi delas e a partir de hoje quero que me olhem como amiga, não mais como professora”, diz Andreza.

Capacitar as vítimas de violência doméstica foi uma oportunidade observada durante o projeto Divvan desenvolvido em 2018. Através dos atendimentos em ocorrências, a PM observou que muitas mulheres perdoavam os agressores, pois não tinham como se manterem sozinhas, já que não tinham uma profissão ou formação.

“Verificamos, quando íamos conversar com essas mulheres, principalmente nos casos de reincidência, as vítimas nos relatavam que não tinha como sobreviver sem a colaboração financeira do parceiro. Diante disso vimos a necessidade de ter algo para fechar o ciclo. Através do curso profissionalizante ela vai conseguir após três meses ter uma profissão. Pode trabalhar em casa e sustentar a família”, explicou a comandante do 11º Comando Regional da PM, a coronel Francyanne Siqueira.

O retorno do Divvan já era um anseio da PM e foi concretizado após uma audiência pública voltada à violência doméstica, solicitada pela Sala da Mulher, da Câmara Municipal. “Parabenizo a Polícia Militar pela importância deste projeto, que é olhado com carinho e ao Senac, que tem se destacado com este olhar humanizado”,

As vereadoras Iva Viana e Edna Mahnic, também da Sala da Mulher, ressaltam que estas mulheres, mesmo em meio às dificuldades, abraçaram a oportunidade devido ao desejo de iniciarem um novo ciclo de vida.

A coronel salienta que estas mulheres tiveram muitas dificuldades no caminho, no entanto, se esforçaram e se superaram. “Elas merecem sentir o prazer da vitória”.

Durante estes três meses, as alunas também receberam palestras de profissionais ligados à área da saúde, psicologia e assistência social.

A gerente do Senac, Paula Graciele Alves, diz que como instituição de ensino, fica feliz em oferecer um curso de qualificação que fizesse a diferença. “Essa é uma profissão que sabemos que nunca irá acabar, sempre haverá cliente e quem faça. As alunas foram persistentes e estamos de portas abertas para novas formações”, expõe.

A promotora Nayara Scolfaro reforçou a parceria do Ministério Público com o projeto e parabenizou a PM que, enquanto instituição, tem buscado atualização para os atendimentos de ocorrência contra mulher, prestando assim, um trabalho otimizado e humanizado. “São ações como essas que fortalecem a rede de apoio e, é isso que as mulheres em situação de qualquer tipo de violência, precisam”.

A secretária de Assistência Social do município, Márcia Rotilli, tem uma proximidade e conhecimento sobre a violência contra a mulher devido aos programas de assistência oferecidos pelo município – CRAS e CREAS. Para ela, no primeiro momento é importante o rompimento de vínculos, “de acordo com cada caso, respeitando o momento da vítima, sua disposição em denunciar, em romper com a situação de violência. O importante é haver o acolhimento”.

ATENDIMENTO HUMANIZADO

O projeto Divvan também tem como prioridade capacitar os policiais militares para que durante o atendimento da ocorrência prestem todo o auxílio necessário às vítimas, já que muitas vezes são os primeiros e únicos a ter o contato com a mulher logo após a agressão.

Durante este período, os militares também foram capacitados através de palestras. Segundo a coronel, o atendimento hoje é elogiado pelas, devido a melhora no serviço oferecido. “Mudamos o conceito e passamos a humanizar o atendimento, pois quando a mulher está ali como vítima, ela está vulnerável e precisa que o policial tenha o olhar voltado para ela. Depois desta primeira fase nós não tivemos mais reclamações, pelo contrário, elas passaram a elogiar o atendimento e a orientação policial. Nossa expectativa é melhorar ainda mais o tratamento”, ressaltou a comandante do 11° Comando regional.

 

QUATRO MULHERES VÍTIMAS DE FEMINICÍDIO EM 2019

O número de mulheres assassinadas no estado de Mato Grosso apresentou um aumento e em Primavera do Leste não foi diferente. Somente neste ano, quatro casos foram registrados. Todos os suspeitos foram presos pela polícia. Em 2018 nenhuma mulher foi morta na cidade.

No último final de semana, duas tentativas de homicídio foram registradas. Na sexta-feira (11), a vítima foi atropelada propositalmente pelo marido depois de um desentendimento entre as partes. Ela foi socorrida com suspeita de fratura nas pernas. O agressor foi detido em flagrante. Ele alega ter perdido a cabeça e que não se lembra do episódio.

Já no sábado (12), durante a madrugada, uma mulher deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com três perfurações de faca. O ex-marido dela foi quem cometeu o crime. O suspeito que não foi localizado, não aceita o término do relacionamento e disse que tiraria a vida ambos.

A coronel orienta as vítimas a deixarem o medo de lado e denunciar todo e qualquer caso de violência. “A PM está aqui para poder ajudar e apoiar. As mulheres precisam denunciar e entender que a violência não é algo normal ou cultural, pois não é! Não sofra calada, estamos aqui para ajudar e somos o braço amigo que pode ajudar. Ligue 190 e denuncie”.

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