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Quinta-feira, 07 de Novembro de 2019, 17h:55

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Polícia Civil faz reconstituição de acidente entre ônibus escolar e motocicleta ocorrido em 2015


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Pérsio Souza

A Polícia Civil de Primavera do Leste, com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), realizou a reconstituição de um acidente ocorrido em 2015, no cruzamento das avenidas dos Lagos com a Amazonas. Na época um motociclista foi atingido por um ônibus escolar. O procedimento aconteceu na manhã desta quarta-feira (6). O pedido foi feito pelo Ministério Público e em até 30 dias a perícia deve ser concluída.

Em 02 de junho de 2015, o torneiro mecânico Marcos Sadi Ladvig, 41, saiu de casa, no bairro Tuiuiú, para o trabalho que ficava próximo ao Posto 2000, às margens a MT-130, no entanto, ao cruzar a Avenida dos Lagos com a Amazonas, teve a preferencial invadida por um ônibus escolar. No veículo da Prefeitura de Primavera do Leste estava apenas o motorista, que seguia para o bairro Primavera III.

Com o impacto da colisão, a vítima foi lançada há alguns metros de distância, o capacete saiu e o torneiro bateu a cabeça no meio-fio. No mesmo dia Marcos foi encaminhado ao Hospital Regional, em Rondonópolis, onde ficou em estado de coma. Foram dois meses internado.

O acidente deixou a vítima inválida. Nossa equipe de reportagem esteve na residência dele e conversou com Vilma Pereira, esposa e cuidadora integral de Marcos. Afundamento no crânio, perca da fala e memória, oscilação de humor, necessidade do uso de fralda geriátrica, medicação diária e alimentação específica foram apenas algumas das sequelas que ficaram.

 

RECONSTITUIÇÃO DO ACIDENTE DEVE ELUCIDAR O CASO

O processo de Marcos Sadi Ladvig foi distribuído ao Poder Judiciário em 19 de agosto 2015, dois meses após o acidente. Em abril de 2017, o Ministério Público requisitou à Polícia Civil a reconstituição do caso, novas oitivas e corpo de delito.

Em outubro de 2018 a promotoria solicitou o andamento do caso, que estava parado desde abril do ano anterior. Foi dado o prazo de 60 dias para a realização da reconstituição, porém, devido aos procedimentos, só pode ser realizada em novembro de 2019.

Segundo o delegado titular da Delegacia Municipal de Primavera do Leste, Pablo Rigo, a técnica de reconstituição é um dos elementos utilizados pela Polícia Civil para chegar à conclusão do inquérito. Este procedimento não é realizado em todas as investigações, apenas quando necessário por ser uma linha investigatória específica.

Para a realização da reconstituição, um ônibus escolar e uma motocicleta foram colocados no local do acidente para que as informações juntadas pela Polícia Civil fossem confrontadas com a análise técnica da perícia.

O suspeito envolvido no caso e as testemunhas, uma a uma - de forma que não tenham contato entre si-, foram levadas ao local do crime para que apresentassem a versão aos peritos e demonstrassem o que viram no dia. O procedimento teve duração de aproximadamente 2h30.

O delegado explica que o fato da vítima não ter morrido fez com que não houvesse preservação do local e com as sequelas do acidente, não foi possível colher a oitiva da vítima, sendo assim necessária a reconstituição.

As provas indiciárias escolhidas, devidamente numeradas e descritas, são usadas como documento no laudo pericial, que é reunido ao inquérito policial. Pablo acredita que no prazo de 30 dias o parecer da Politec deve ser emitido.

 

COM BENEFÍCIO QUE PODE SER PERDIDO A QUALQUER MOMENTO, VILMA DIZ QUE SENTE QUE FORAM ESQUECIDOS 

Antes do acidente, a cozinheira Vilma Pereira já estava desempregada e após o ocorrido, ela precisou dedicar-se integralmente a cuidar de Marcos. O homem que era considerado trabalhador e dedicado em tudo que fazia, passou a ser dependente dela.

“A rotina passou a ser dentro de casa e ele não pode ficar sozinho, se não pode se machucar. Para ir ao mercado ou farmácia, tenho que esconder os objetos que podem apresentar qualquer perigo, pois ele já cortou os cabos da televisão uma vez e colocou fogo nos fundos de casa”, diz Vilma emocionada.

Além do cuidado especial, Marcos precisa tomar medicação diariamente, tem problema com diabetes e pressão. Além disto, a alimentação é feita por líquidos ou alimentos mais macios, já que a vítima possui dificuldade de mastigar.

Hoje, para se manter, o casal vive apenas com o benefício recebido por Marcos, que tem prazo para finalizar. Será necessária uma nova perícia.

Com os cuidados médicos, Marcos passou a demonstrar avanços, já que está reaprendendo tudo novamente, no entanto, devido ao serviço de home care, ofertado pelo Governo do Estado, ter sido cortado em 2018, sem nenhuma justificativa, outras dificuldades começaram a aparecer.

As sessões de fisioterapia passaram a ser oferecidas sem custo algum pela Unic, através dos alunos estagiários, no entanto, como o serviço não é ofertado em casa, o casal precisa se deslocar duas vezes na semana na clínica da universidade. Por não ter veículo próprio, utilizam táxi para se deslocar. São cerca de R$ 300 por mês com as idas e vindas.

Nem todos os meses Vilma consegue os remédios de Marcos na farmácia municipal e devido ao fato de não poder ficar sem, ela precisa comprar. Somente com os cuidados do marido são cerca de R$ 1 mil, isso sem levar em consideração as contas da casa. 

A motocicleta que era utilizada por Marcos havia sido comprada há pouco tempo, antes do acidente acontecer, e hoje, está estacionada no fundo da residência. Vilma afirma que terminou de pagar as parcelas no ano passado. Devido aos altos custos, a manutenção não foi feita e está orçada em R$ 5 mil. No momento o veículo não pode ser vendido, pois é impedido pela Justiça.

Com a realização da reconstituição do caso, Vilma diz apenas esperar que o processo seja concluído. Ao questionar qual a expectativa, ela diz não ter muitas e que se sente apenas triste, pois sentiu que foram abandonados. 

“É como se tivessem atropelado um cachorro. No início até tivemos algumas ajudas, mas hoje é somente comunidade do bairro que nos auxiliam. Ele é uma pessoa honesta e era trabalhador. Senti como se tivéssemos sidos esquecidos”, concluí Vilma.

Entramos em contato com o Ministério Público para saber quais são os questionamentos que faltam elucidar para a conclusão do caso, e perguntamos à Secretaria Estadual de Saúde (SES) qual a possibilidade do serviço de home care retornar. Nossa equipe de reportagem aguarda as repostas que devem ser encaminhadas até esta quinta-feira (7).

Caso tenha interesse de ajudar Vilma e Marcos de alguma maneira, seja com a doação de alimentos, fraldas ou custos da medicação, basta entrar em contato pelo número (66) 99612 0200 – não tem WhatsApp. Qualquer ajuda é bem-vinda!

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