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Quinta-feira, 26 de Março de 2020, 17h:09

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Medidas tomadas em relação ao contágio do covid-19 são para evitar o caos na saúde, diz infectologista

Em Primavera do Leste já são 13 casos suspeitos


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Jaqueline Hatamoto

Na manhã desta terça-feira (24), a Secretaria de Saúde promoveu um encontro entre médicos da rede pública de saúde de Primavera do Leste. O objetivo foi tirar dúvidas destes profissionais quanto ao protocolo de atendimento e como proceder em relação ao Coronavírus. As dúvidas foram tiradas pelo médico infectologista Juliano Bevilacqua.

 

“O infectologista veio orientar nossos médicos. Acreditamos que informação nunca é demais, mas há muitas mudanças em relação ao protocolo e por isso promovemos este encontro, para que todos falem a mesma língua”, frisou a secretária de saúde Laura Kelly.

Antes de atender aos profissionais da saúde, o médico respondeu algumas dúvidas da imprensa local. Perguntas e respostas na íntegra podem ser lidas abaixo.

 

Jornal O Diário: Quando eu devo usar a máscara?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: A máscara ela não está indicada para todas as pessoas que saírem de casa. A máscara é indicada, para pessoas que estejam no grupo de risco. Então todas as pessoas que tenham comorbidades que sejam classificadas como imunossupressão, os pacientes que tenham insuficiência renal, pacientes que usam corticoide em altas dosagens, pacientes diabéticos, paciente hipertensos, todos os pacientes acima de 60 anos. Vale destacar que essas pessoas deveriam estar dentro de suas casas, mas quando optarem por sair devem utilizar a máscara cirúrgica para tentar se proteger de eventuais pessoas que estejam com algum tipo de contaminação. 

 

JD: E o álcool em gel é extremamente necessário?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: Na verdade, ele é muito eficiente e deve ser utilizado toda vez que entramos em contato com coisas que não estejam limpas. Mas sabemos da dificuldade de se encontrar, por isso temos a oportunidade de lavar as mãos, com água e sabão, e precisamos nos policiar que esta também é uma maneira de nos proteger, quando não temos o álcool em gel de fácil acesso.

 

JD: Pode fazer atividade ao ar livre?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: O que se pede é o isolamento. Ou seja, para que não saiam de casa. Quem precisa sair acaba se expondo, e quando isso ocorre é necessário manter uma distância de pelo menos dois metros de outra pessoa.

 

JD: Todas as pessoas que tem os sintomas, fazem o teste para o Coronavírus?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: Existe uma indicação da Organização Mundial de Saúde, que é ‘façam os diagnósticos’. Porém, temos dificuldade em nosso pais, e também de acesso fácil ao exame. Esses números que todos veem não são os reais. Nós que estamos na linha de frente, sabemos que existe muito mais coisas do que está se mostrando. Nossa preocupação parece em excesso, mas não é.

Os exames hoje só fazemos em pacientes que tem uma certa gravidade. Porquê? Por que são eles que a gente quer ter a certeza e o quanto antes fazer com que estes pacientes não precisem mais do isolamento, que é algo que tem um alto custo (equipamentos entre outros). É importante para fazer o exame para diagnóstico e para facilitar o tratamento destes pacientes.

Fora disso qual é a conduta? Isolamento. Então como todo mundo gripado tem que fica em isolamento, não adianta ficar colhendo exames. A gente não vai liberar e nem tem como hoje, neste momento.  Talvez com o passar dos dias tenhamos acesso a um teste rápido que facilitaria este tipo de diagnósticos em pacientes leves, que seria muito interessante para que possamos fazer os afastamentos destas pessoas de maneira mais pontual e não todos como está hoje, algo bem abrangente.

 

JD: É correto dizer que Primavera do Leste e o Brasil se encontra em estado de calamidade?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: As pessoas precisam entender que o serviço público está se organizando, para prevenir a calamidade.  Então se observar o cenário hoje, temos uma quantidade de pacientes suspeitos, alguns descartados e outros aguardando exames. Não temos ainda pacientes internados. Estamos em um momento epidemiológico diferente de alguns países e também de cidades do Brasil. O que estamos fazendo, o fechamento por 14 dias, é para tentar impedir a circulação viral durante essa fase, em que é a fase em que pode explodir o número de casos.

Se a gente perder o controle neste momento, não será possível segurar mais. Então se a gente conseguir nesta fase, que existem poucas pessoas doentes impedir a evolução do vírus, conseguiremos impedir a contaminação exacerbada em que tenham 100, 200 pessoas contaminadas de uma só vez, pois assim vamos perder, pois não conseguiremos dar conta de atender a todos.

Muito provavelmente nós temos gente contaminada dentro de suas casas, essas pessoas estão evoluindo muito bem, supondo que elas não procuraram os serviços e se procuraram foram avaliadas e voltaram para suas casas. Essas pessoas passando esse período de 14 dias, não estarão mais transmitindo, ai nossa vida vai retornando ao normal aos poucos. Haverá a liberação de alguns serviços. A sociedade tem que entender que o que queremos neste momento é inibir transmissão dentro do município.

 

JD: Quando o ministro da saúde fala que nos próximos dias e meses a situação vai ficar bem pior, isso é real? Ou as atitudes tomadas hoje pode controlar e não termos tantos casos?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: Eu vi uma notícia, que dizia ser capaz que tenhamos cerca 100 mil casos novos no Brasil por dia. Só para entender como estão crescentes os números. Então não dá para imaginar que não vamos ter casos. Nós vamos ter casos. O que queremos é que aconteça de forma linear sem picos. Se acontecer de maneira linear, conseguiremos atender de forma adequada e diminuir o número de mortes destes pacientes. O Ministério da Saúde, está pensando em locais onde já está instalado o caos. Por isso que pedimos o apoio da sociedade.

 

JD – Os casos em Mato Grosso podem ser menores em relação a outras regiões do Brasil?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista:  Aqui (MT) que é um estado que tem uma área maior que São Paulo, uma densidade populacional menor, temperaturas maiores, talvez isso facilite o nosso controle. Isso talvez, não é algo que dá para garantir. Mas eu acredito que muito provavelmente. E se tomarmos toda as medidas que devem ser tomadas de maneira permanente, muito provavelmente vamos conseguir organizar os atendimentos sem o caos.

 

JD: O que a população pode fazer para ajudar?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: Todos precisam entender o que está acontecendo. Deixando de lado problemas como o econômico. A gente entende que isso preocupa, mas no momento, queremos evitar algo grave no futuro, 10 dias ainda dá para evitar, agora se o caos se instalar precisaremos ficar mais dias, ou quem sabe meses. Quando chegar ao equilíbrio (do contagio), provavelmente essas ações de bloqueios vão diminuir, mas ações preventivas vão continuar, as ações sobre os grupos de riscos vão continuar isso não vai mudar tão cedo.

As pessoas precisam entender que ninguém está ganhando nada com isso. Estamos aqui no intuito de informar. Não é para desesperar ninguém é para entender que estamos tomando as ações antes de ter o dano. Parece que as ações são exageradas, mas é tudo necessário.

As pessoas precisam confiar, e seguir as recomendações. Se um não segue, já atrapalhou e muito. Se uma empresa não segue, já atrapalhou.

Se uma pessoa chega de outra região e não faz isolamento, e esse é necessário no mínimo sete dias de quem vem de qualquer lugar do Brasil e de fora, 14 dias, já atrapalhou o bloqueio do vírus.  É importante que se alguém não faz o bloqueio que seja denunciado, por que isso vai fazer mal para todos.

 

JD: As providências tomadas pela administração pública estão corretas?

Juliano Bevilacqua – médico infectologista: Tem que entender que as novas ações estarão relacionadas com número de casos que fecharmos o diagnóstico. Tudo depende do que acontece neste bloqueio, para ver se esse bloqueio será estendido ou não. O que a gente quer é que todos sigam, mas essas orientações podem mudar, então é importante que todos fiquem atentos, pois tudo que está sendo feito é para o benefício de todos.

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