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JUSTIÇA HUMANIZADA /

Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019, 07h:00

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Constelação Familiar sistémica soluciona conflitos processuais em Primavera do Leste

Está é a quarta vez que o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) realiza a prática no município.


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Pérsio Souza

Buscar a conciliação e a solução de conflitos através da justiça restaurativa, na qual promove a pacificação entre as partes, é o principal objetivo da oficina de Direito Sistêmico, realizado por meio da Constelação Familiar. A juíza da Terceira Vara Especializada de Família e Sucessões de Várzea Grande, Jaqueline Cherulli, esteve em Primavera do Leste na quarta-feira (11) para a aplicação desta metodologia humanizada, onde foram constelados processos relativos às varas da Família, Criminal e Cível. Está é a quarta vez que o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) realiza a prática no município.

A juíza explica que o método tem sido muito bem recebido pelas partes que se encontram em litígio e recebem um olhar diferente a respeito do conflito judicial. Segundo ela, esta metodologia tem o intuito de analisar as questões do processo de forma que sejam entendidas as leis fenomenológicas e não apenas as questões jurídicas postas.

“Compreendendo os fatores do processo, tomamos uma postura pacífica e de reconciliação, a qual facilita o acolhimento e diminui o distanciamento entre as partes e profissionais envolvidos para solucionar o impasse em questão”, explica a magistrada.

O juiz-diretor do Fórum da Comarca de Primavera do Leste, Alexandre Pampado, expõe que os processos presentes na oficina realizada já estavam em tramitação e foram encaminhados ao Cejusc para a realização da solução de conflito. “Temos visto que depois de aplicada a oficina, há realmente a pacificação entre as partes. É o Tribunal de Justiça buscando não só números, mas uma verdadeira pacificação social”, esclarece.

Indo de encontro ao que Pampado expôs, Cherulli defende que a justiça do futuro é a justiça pacífica. “Não haverá espaço para o profissional da área jurídica que não busque isso, pois já entendemos ao longo do tempo que os modelos postos não trazem solução, então podemos cumprir metas, bater recordes, sermos premiados, mas isso solucionará o conflito entre as partes ou só aumentará números?”, questiona.

Aos que desconhecem a oficina que integra o Direito Sistêmico, o trabalho é realizado através da representação de cada figura parental e de componentes importantes do processo que se movimentam dentro do espaço onde acontece a constelação. Com base nesses movimentos, são interpretadas as razões para o conflito que se encontra na Justiça.

Em dado momento, as partes se observam dentro da própria história e assumem o papel na dinâmica, completando os movimentos que se baseiam na vibração energética de cada um dos integrantes da constelação.

Diferente do que alguns pensam, a prática não está associada à psicologia, mas sim ligada ao campo quântico, morfológico e informações pertinentes a cada situação que eles representam.

A metodologia de Constelação Familiar passou a ser utilizada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso em 2015 e aplicada em diversas comarcas, como Primavera do Leste, Várzea Grande, Cuiabá, Sinop, entre outros municípios. A expectativa é que 2019 se encerre com mil processos trabalhados desde a implantação.

Apesar de ainda haver resistência por alguns profissionais e partes do processo, por associarem a Constelação Familiar ao misticismo, religião e crenças pessoais, a juíza Jaqueline Cherulli defende a ciência desenvolvida pelo missionário alemão Bert Hellinger e alega que esta é a vanguarda do Direito. “Depois do trabalho realizamos uma avaliação de reação e nunca tivemos nenhuma crítica negativa. Por enquanto temos resultados positivos que nos anima a seguir adiante, mas tratando-se de vida, reconciliação e mudanças, se houver um caso positivo, já é motivo para não pararmos o projeto. Temos 100% de não-reincidência na Vara da Infância e Juventude de Várzea Grande, por exemplo, e isso é muito animador”, conclui.

Por fim, o juiz Alexandre Pampado destaca que na maioria das vezes é nítido que o conflito é interno, no qual a ação penal que as partes insistem não traz solução, sendo necessário a aplicação da Constelação Familiar para que assim, atinjam o estado de paz e não voltem a ter mais processos.

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