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Terça-feira, 16 de Julho de 2019, 07h:00

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Cachorros soltos em vias voltam a ser alvo de reclamações da população primaverense

Vítima está há poucas semanas em Primavera e já foi atacada diversas vezes


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Da Redação

O assunto de cachorros soltos pelas vias de Primavera do Leste e ataque a populares que transitam pelas ruas já foi assunto outras vezes do O Diário e novamente, este tema volta às páginas do jornal. Através das redes sociais, um jovem do município pede aos proprietários dos pets mais cuidado com os animais, como não deixar sair sem coleira, vacinar e castrar. O rapaz que já foi atacado algumas vezes, conforme relata, recebeu apoio de vários moradores que também já foram vítimas.

Ítalo Silva fez a publicação em grupo do Facebook, que reúne quase 70 mil pessoas de Primavera do Leste e região. Mais de 170 curtidas e cerca de 120 comentários foram feitos no post. A maioria dos usuários relataram passar pelo mesmo problema e citaram locais que mais encontram dificuldade de transitar por conta dos cachorros, como Castelândia, Primavera III e Buritis.

“Galera venho humildemente aqui dar um alerta às pessoas que deixam seus cachorros na rua de forma "livre". Já faz algumas semanas que cheguei aqui em Pva e de alguns dias que saio de casa a pé, sempre tem um bendito de um cachorro que me dá um carrerão (sic) outros já chegaram a me morder, portanto, se vocês amam seus dogs mantenha-os dentro de casa de preferência vacinados, pois se me chegar acontecer isso de novo serei obrigado a tomar medidas necessárias, pois se está na rua não tem dono e por favor castrem esses animais, independente sendo sem raça definida ou não, isso é pela saúde do animal. Eu já adianto que sou totalmente contra a maus tratos a todo tipo de animal e devido a isso eu não agrido ou machuco os bichos, mas se você tiver cachorro ou gato e o deixa solto na rua quem será responsabilizado será você, para lembrar que isso é dado como maus tratos e abandono, que dependendo de alguns casos pode gerar processos e reclusão com direito a pena!!!”, diz a publicação.

Além de atacar os pedestres, motociclistas e motoristas relatam que passam pelo mesmo problema, como é o caso de Juliana Menezes que diz que quando estava gestante um cachorro quase a derrubou da moto. Rosângela Oliveira passou pelo mesmo problema “E quando você está de moto, eles faltam te derrubar, aff, se vão deixar na rua não peguem pra criar”, diz.

Já Marcio Lucélia, que estava de carro, chegou a colidir com um cachorro, pois correm e atravessem na frente do automóvel. “Está um caso sério cachorro na rua”, relata o condutor.

O fato dos animais ficarem soltos nas ruas impedem as pessoas de fazerem atividades simples como ir ao mercado ou padaria. Este é o caso de Simoni Zibetti já que ela não pode sair de casa com o filho no carrinho, pois corre o risco de ser atacada. “Eu acho engraçado a gente ficar coagido e preso dentro de casa sem poder passear com nossos filhos de carrinho a tarde ou se quer ir ao mercado e padaria porque tem cachorro que ataca a gente na rua inteira, complicado eu acho que a situação mudaria se houvesse respeito pelo próximo e tentar se colocar no lugar do outro...”, relata indignada.

Outro local alvo de reclamações foi o Lago Municipal. Lucilia Freitas pede para que quem passeia com os pets deveriam recolher as fezes do animal. É válido ressaltar que através do projeto “Eu amo Primavera”, uma empresa de cereais do município disponibiliza sacos plásticos para recolher o cocô do cachorro.

Leide Borges acha que deveria ter uma atuação do poder público para notificar e multar os proprietários. “Tinha que notificar os donos e fazer eles pagar multa quem sabe assim resolve... Eu tenho cachorros também, mas não passa do portão para fora nem por decreto”, afirma.

Para Lucicleia Toledo, a maioria dos cachorros que ficam na rua são de rua e que estes é obrigação da prefeitura em castrar. “Os donos de cachorro realmente eu concordo que as pessoas deveriam castrar até para evitar que mais tarde, se for abandonado ou se perderem, o que acontece muito, não gerar outros cachorros para depois ficar sofrendo. Eu nunca fui atacada por cachorro na rua, muito pelo contrário, talvez seja porque amo cachorro. Se tivesse outra condição com certeza muitos não seria, esquecidos por mim, inclusive sobre o trabalho de castração que muitos fazem”, pontua.

 

O QUE DIZ A LEI MUNICIPAL?

De acordo com a Lei 500 de 17 de junho de 1998, que trata sobre o Código de Posturas do município de Primavera do Leste, no artigo 139 diz que “é proibida a permanência de animais nas vias e logradouros públicos” e continua no art. 140 dizendo que os animais encontrados em ruas, praças, estradas ou caminhos públicos serão recolhidos ao depósito da municipalidade.

Apesar da lei, nenhuma das partes cumpre com o devido papel, pois a população deixa os cachorros na rua e o município não dispõe de um local para que estes animais sejam recolhidos, ou seja, o trabalho da fiscalização fica impedido de ser realizado.

 

EM CASO DE MORDIDA: CUIDADOS A SEREM TOMADOS 

Dependendo do grau da lesão, a vítima deve-se procurar a unidade de saúde mais próxima. Lá deverá ser dado todo o suporte para o tratamento e os cuidados com a lesão.

De acordo com a Vigilância Ambiental, alguns cuidados básicos que devem ser tomados imediatamente após a mordida, podem evitar maiores consequências, como a infecção por bactérias ou outros microorganismos. Portanto, a primeira coisa a ser feita é a limpeza: água e sabão.

Em casos de mordidas, além dos cuidados básicos é importante saber se é um animal de rua ou não, pois caso não saiba a procedência, se é vacinado ou não, o profissional de saúde deve ser avisado para que inicie o tratamento antirrábico.

 

Para acidentes com animais conhecidos, que se conhece a procedência, o proprietário, se é vacinado, geralmente não há necessidade de iniciar tratamento antirrábico, a não ser que o cachorro passe a apresentar sinais/sintomas de raiva poucos dias após a mordida. Nos cães, o tempo máximo de evolução da doença, desde o aparecimento do vírus na saliva até a morte, é de apenas 10 dias. Na dúvida, manter o cachorro em observação por uma semana.

 

FALTA DE SORO ANTIRRÁBICO NO PAÍS

O Ministério da Saúde confirmou a falta de soro antirrábico no país e as causas seriam por problemas de entrega do fornecedor contratado. Devido a isto, cerca de 10 estados estão com baixo estoque e outros já não possuem o antídoto da raiva. Entre estas regiões, está Mato Grosso que possuía apenas 45 ampolas para serem distribuídas entre os 141 municípios. Esta última remessa foi enviada em maio. O critério a ser seguido, conforme recomendação do Governo Federal, que possui poucas doses, é de avaliação dos armazenamentos disponíveis.

Em Primavera do Leste, a realidade não é diferente do país. Apesar de ainda haver estoque de soro, o número é baixo e pode durar apenas até este mês de julho. Dados do Informe Epidemiológico, referentes ao mês junho, apontam que foram registradas 170 notificações em 2019. São uma média de 28 casos por mês. Isto é quase um atendimento por dia.

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