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Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2019, 07h:00

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Águas de Primavera apresenta programa de incentivo à igualdade racial: “Respeito Dá o Tom”

O intuito é promover a igualdade e combater o racismo no ambiente corporativo e sociedade


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Pérsio Souza

A população brasileira é bastante miscigenada e a formação se deu pela mistura de raças de povos indígenas, africanos, imigrantes europeus e asiáticos. Estudos revelam que 54% da população do país é negra ou parda, no entanto, no mercado de trabalho não há essa representatividade, já que a maioria dos cargos são ocupados por não-negros, conforme o Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da população negra representar mais que a maioria, ainda há o racismo enraizado na sociedade e no intuito de promover igualdade e combater o preconceito, o grupo Aegea, através da concessionária Águas de Primavera, apresentou para a comunidade o programa “Respeito Dá o Tom”, na noite de sexta-feira (29), no plenário da Câmara Municipal.

O diretor-executivo da concessionária, Robson Cunha, explica que o programa “Respeito Dá o Tom” surgiu em 2017, após o CEO da Aegea participar de um evento de igualdade racial, promovido pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR). O projeto que busca combater o preconceito e oferecer oportunidades para aqueles que muitas das vezes são excluídos da sociedade, está inserido em todas as unidades do grupo a nível Brasil.

Segundo Cunha, o intuito de apresentar o projeto para a população é para que o combate ao preconceito e a luta pela igualdade social não fique apenas dentro do ambiente corporativo, já que o racismo, infelizmente, ainda está presente em todos os lugares. “Este é um tema sensível que ainda sentimos resistência por parte de alguns, mas em contrapartida, há outras empresas que estão conosco e abraçam a causa”, diz.

O “Respeito Dá o Tom”, através de comitês, promovem rodas de conversas, palestras, fóruns, captam currículos em comunidades quilombolas e desenvolve outras ações voltadas para o combate ao racismo de uma forma geral. O comitê em Primavera do Leste é formado por colaboradores da unidade.

Apesar de toda a evolução humana, ainda existe o racismo e o preconceito, no entanto, na maior parte das vezes ele se manifesta de forma velada através de um viés inconsciente.

O chamado racismo estrutural está tão presente no dia a dia, porém, muita das vezes a pessoa não se dá conta que cometeu um ato preconceituoso devido a cultura enraizada. Em nosso cotidiano, expressões racistas são ditas muitas das vezes sem nos darmos conta. Portanto, não se trata de ser politicamente correto, mas sim de reconhecer que há alguém que se ofende e que é necessário respeito com o outro.

A coordenadora de comitê do Respeito Dá o Tom, Keilla Martins, é mulher e negra. Ela salienta que o racismo não é vitimismo ou “mi-mi-mi”, mas sim uma forma de agressão. “Já fui vítima de racismo, fui agredida verbalmente e publicamente, chamada de preta, macaca e fedida. Não quero favor ou que tenham pena de mim, quero respeito da mesma forma que tenho por todos”, pontua.

Keilla afirma que os negros lutaram muito para obter as conquistas atuais, no entanto, ressalta que ainda há mais batalhas a serem vencidas. “Tivemos muitas vitórias, mas não podemos parar e nos calar, pois é um caminho longo. Mesmo após a abolição da escravatura ficou uma grande lacuna, então temos que trabalhar com ações afirmativas para eliminar todo e qualquer tipo de racismo”, defende.

O vereador Luis Costa esteve no evento e se emocionou ao relatar aos presentes sobre os episódios de preconceito que sofre. Ele revela que precisa combater o racismo todos os dias e reafirmar que “a cor da pele não importa, pois não diminui a capacidade do outro. Todos têm a oportunidade de serem pessoas melhores”, afirma.

Com o advento da internet, as agressões contra pessoas negras aumentaram, pois hoje, o racista se esconde atrás de nomes e imagens falsas para atacar o outro e tentar inferiorizar. Apesar de haver esse lado negativo, a pedagoga Júlia Café observa que a mídia deu direito de voz à população negra, mas ainda não é da forma que buscam.

“Nós, negros, somos produtores de conhecimento, intelectuais, orgânicos. Nosso povo já foi tão massacrado e ainda continua sendo, pois, as pessoas não conseguem entender que o negro é um ser, um indivíduo que tem emoções, fragilidades, vivencias, cultura e que todas as diferenças devem ser respeitadas”, manifesta a professora.

Com orgulho da cor, sexo e cabelo, Café, que é mulher, negra e tem cabelos crespos, repassa aos alunos sobre sua descendência através do projeto “Semeando a Identidade da Mulher Negra”, no qual conta a história da população negra, fala sobre o racismo, as lutas e vitórias e em oficina, ensina sobre os turbantes.

Este projeto surgiu em 2017, com alunos do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – polo Primavera, já passou pela Escola Mauro Weis, Escola Cremilda Viana e Maria Sebastiana, na sede e anexo ao Tuiuiú. “Nós mulheres negras devemos nos aceitar como somos e nos valorizarmos. Não podemos negar quem somos, independente do que vão dizer ou achar”, finaliza Júlia.

Por fim, o presidente da Casa de Leis, o vereador Paulo Márcio, parabenizou a Águas de Primavera pela atitude que tiveram em trazer um assunto delicado que deve ser combatido. “A diversidade tem que ser respeitada e temos que buscar igualdade, pois a cor da pele pouco importa. Temos que levar este assunto em todos os seguimentos e é ótimo quando vemos a iniciativa privada buscar conscientizar a sociedade”, conclui.

O Grupo Primitivos, da escola de teatro da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) realizou uma apresentação voltada ao tema. A história se passa em uma escola e os personagens relatam as vivências que tiveram em sala de aula, no qual sofreram preconceito pela cor da pele, biotipo, orientação sexual, entre outros.

 

 

Na pele a cor

No Tom o respeito

“Respeito dá o tom”

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