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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012, 05h:00

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Voltando ao planeta dos macacos

E o apocalipse não para por aí. A raiz dos males está na falta de respeito. Na não obediência a um simples ditado popular, não fazer aos outros o que não queremos que façam para nós


Redação: Janine de Oliveira
Há dias em que falta inspiração, sobra indignação. Todo mundo tem seus dias de busca de identidade, até mesmo quem escreve precisa de algo que motive.
Falando em motivação existe uma frase bem oportuna para esses dias: “O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro”, escrita pelo poeta e escritor gaúcho, Mário Quintana.
Quintana escreveu isso no século passado, será que ele era um visionário de seu tempo, ou nós que não conseguimos ter visão dos fatos?
Profecias anunciam o fim do mundo, a última tendência é o famoso calendário Maia. Hollywood não cansa de faturar em cima de grandes produções com efeitos especiais tentando mostrar como será o apocalipse. Já cogitaram invasão alienígena, catástrofes climáticas, ideias existem aos montes. O que ainda não ilustraram é a luta nossa de cada dia para nos mantermos vivos.
Basta ligar a televisão, ou abrir as páginas do O Diário. Não culpem a mídia, não somos anunciadores da desgraça alheia, apenas contamos fatos. Acaso não gostem de ler evitem que eles aconteçam.
Não gostamos de noticiar que um jovem ao fugir da polícia se envolve em um acidente que poderia ser fatal, pois não portava documentação necessária para dirigir, ora se ele estava no volante de um carro é porque alguém permitiu. Existe a lei da ação e da reação. Jovem menor de idade + sem documentação + permissão = Acidente/ocorrência.
Pais reclamam que está difícil educar os filhos, mas mimá-los desde pequenos os faz não perceber que existem limites. A permissividade tomou conta e isso acaba tendo reflexos ainda maiores no futuro. Dizer não aos filhos não machuca, nem os poda a liberdade, um não na hora certa, educa. Içami Tiba escreveu um livro voltado para a educação com o título bem direto e objetivo - Quem Ama Educa. Fala sobre o poder do diálogo. Dialogar não é nem de perto permitir tudo.
E o apocalipse não para por aí. A raiz dos males está na falta de respeito. Na não obediência a um simples ditado popular, não fazer aos outros o que não queremos que façam para nós. Ora quem gostaria de ter lixo jogado na sua porta? Quem quer ser vítima de um acidente grave por causa de bebedeira alheia? Quem quer ver um filho machucado na escola porque os pais do coleguinha são agressivos? Quem quer receber ofensas ao seu trabalho por alguém que nem sequer sonha em como fazê-lo? São perguntas que sabemos a resposta: Ninguém. Então está na hora do respeito ser um presente que gostaríamos de receber de volta.
E para ser respeitado é importante que se saiba respeitar.
Observem o comportamento dos macacos, eles sabem respeitar uma hierarquia. O fato de catar piolhos em outro macaco, quer dizer mais que uma necessidade da espécie, mostra que eles sabem fazer o bem para receber em troca depois.
Nos despedimos de uma um editorial convidando para que leiam as matérias publicadas com uma frase da autora Lya Luft: “Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega”.

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