EDITORIAL /

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012, 20h:15

A | A | A

Vida de jornalista

Patrícia Poeta só existe uma. Vida de jornalista não tem nada de glamoroso.


Redação: Janine de Oliveira
Quando perguntam a minha profissão, respondo a verdade: Sou jornalista. E ainda complemento:     Adoro o que eu faço.
Não é difícil depois dessa afirmação ver a expressão de surpresa e logo depois ouvir o comentário: Nossa que legal. Deve ser muito bom ser jornalista. Sempre tem eventos, uma vida sem cotidiano, saber de tudo.
O que muitas pessoas não sabem, é que apresentador de telejornal e vida de estrela é um senso comum, muito difundido e que na prática não existe.  Afinal de contas Patrícia Poeta, só existe uma. Vida de jornalista não tem nada de glamoroso. É um trabalho, importante, como o de todos.
O dia começa cedo e termina tarde, não tem horário de entrar e sair, precisa estar sempre atento a tudo, e se cometer um erro de digitação é como se algo muito grave tivesse acontecido. A coisa fica marcada no DNA. É possível até ouvir aquele comentário: Como é que pode, fulano de tal, esqueceu de um acento. Sabe quando algo tão comum e que passaria batido para outros seres humanos, se torna um peso nas costas de um jornalista. Sei de pessoas que pegam o jornal com uma caneta na mão para brincar de sete erros.
Não, jornalistas não são melhores nem piores que ninguém. Também respiramos, também pagamos as contas no final do mês e sim, às vezes, temos que fazer um freela (gíria para trabalhinho extra)  para complementar o soldo (em linguagem de exército - salário). Não há nada de extraordinário em ser jornalista, mas é preciso que tenha sangue e faro para isso. O tão famoso faro jornalístico, perseguido por muitos e que nenhuma faculdade ensina, somente a experiência e os vários contatos por todo o canto da cidade.
O mais comum de acontecer, até mesmo em ambiente familiar, é do nada ligarem para você pedindo se sabes de algum acidente que acabou de acontecer, ou daquela fofoca sobre a dondoca da vez, como se jornalista fosse ter a obrigação de saber de tudo.
Quer saber qual a maior frustração de um jornalista? Ou melhor as duas maiores. Não ter pauta que gere comentário e que faça aquele sonho utópico de mudar o mundo que está lá no fundinho da alma dar um novo brilho aos olhos e a outra é ser convidado para um happy hour e ter que responder que ainda não fechou a edição e que não sabe até que horas vai.
Mas tudo isso se torna muito bom, quando se gosta do que faz. Cada um tem sua vocação. A minha é ser jornalista. Mas aconselho aos candidatos (as) a musos que é um universo de muito trabalho, responsabilidade e acima de tudo doação. Para se alcançar sucesso é preciso 10% de inspiração e 90% de transpiração, em síntese, não adianta sonhar que depois da faculdade ou se estiver trabalhando numa redação no outro dia estará na Globo, é preciso estudo, estar antenado com o que acontece, viver com o celular ligado, com a câmera fotográfica a postos e disposto a dizer a verdade sobre os dois aspectos da história.
Pensando bem jornalismo deveria vir com bula, como se fosse remédio: Contra-indicações: Não é aconselhável o uso em pacientes com hipersensibilidade a críticas. Deve ser administrado com cautela em pessoas com preguicismo agudo.

0 Comentário(s)
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!
Edição impressa
imagem
os maiores eventos e coberturas
Você é a favor ou contra a privatização da MT 130 sentido Paranatinga?
A favor
Contra
Tanto faz