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EDITORIAL /

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012, 21h:26

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Um tapinha não dói?

um tapa apenas não dói, mas e o que vem depois? tapinhas evoluem para violências maiores


Redação: Janine de Oliveira

Um tapinha não dói. A afirmação era cantada há alguns anos, a letra de funk de MC Naldinho, virou mania entre os adeptos do ritmo. Chegou a ser punida em 2008, onde o cantor precisou pagar cerca de R$ 500 mil para o Fundo Federal de Defesa dos Direitos.
Na época a justificativa da sentença dada pela Justiça Federal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a frase “um tapinha não dói” reflete a compreensão que uma parcela da população brasileira tem sobre as relações sociais.
Realmente, uma tapa apenas não dói, mas e o que vem depois? O que dizem com conhecimento de causa, crianças, mulheres, idosos vitimas de violência que começaram com um tapinha e eles evoluiram.
Talvez, os defensores deste tipo de atitude também acreditem que uma roubadinha do dinheiro público não dói, que pequenas arbitrariedades policiais não doem, que ínfimas violências domésticas não doem e que homofobia e todo o tipo de preconceitos velados não doem.
Nessa edição há uma matéria que fala sobre uma mulher onde os vizinhos cansados de presenciar os maus tratos chamaram a Polícia Militar que ao chegar ao local recebeu a confirmação da vítima que havia sido espancada pelo ex-marido. Porém o que mais chamou a atenção na ocorrência, que na redação estamos acostumados a ouvir, foi que a mulher, mesmo ferida e com a dignidade jogada no lixo, entrou em desespero ao ver o seu agressor ser preso tentando fazer com que ele não fosse levado.
Vem a mente milhares de indagações e probabilidades sobre o caso: Será que ela gosta de apanhar? Será que era amor bandido? Era só um tapinha mesmo? Quanto tempo ela está assim?
A grande verdade é que um tapa dói, sim. A sociedade precisa aprender a não aceitar mais que as coisas sejam resolvidas como os primatas. Violência é a maior prova de ignorância que existe. Se o que nos difere dos nossos amigos de espécie, os símios, é a capacidade do diálogo porque bater?
Quem dá um tapinha, amanhã pode ter atitudes ainda mais violentas. E não é somente homem que bate, a expressão da ignorância não é relegada a apenas um gênero da nossa civilização moderna, mulheres também batem.
Existe o dito - Apelou perdeu, neste caso bater é perder a razão, é admitir que não consegue viver em sociedade, que não sabe como resolver os problemas sem partir para  a pancadaria.
Tapa de amor não existe. Se é amor não precisa doer, e não é agressivo. O que será que aconteceu com a mulher que foi agredida, e não deveria ser a primeira vez, que mesmo machucada defendeu seu algoz? Não sabemos. Uma coisa é certa, quem bate uma vez, fará isso mais vezes.
Mas o que vira motivo de “piadinha”, com comentários do tipo, “Olha a Maria da Penha!” - ou - “Daqui alguns dias teremos que ter o João da Penha”. Muitas vezes, é uma doença, chamada de Síndrome da Violência Familiar que precisa ser encarada com seriedade.
Vamos aproveitar as nossas relações sociais e difundir o poder do entendimento através de uma boa conversa. Serão criados menos problemas, causadas menos dores. Pois, é conversando que se entende.

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