EDITORIAL /

Quarta-feira, 01 de Fevereiro de 2012, 05h:00

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Ser feliz é ter esperança

ser feliz implica em ter todas as inquietações possíveis. tudo é mutável menos nossa vontade de ser feliz


Redação: Janine de Oliveira
Hoje o editorial será digno de um grande escritor brasileiro: Carlos Drummond de Andrade. Iluminado e inspirado pela sensibilidade de descrever com exatidão e delicadeza os sentimentos mais humanos.
Em um de seus momentos de inspiração ele escreveu o seguinte: “Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons”.
Realmente quando se é criança a felicidade tem gosto de chocolate, nem precisa ser o mais caro, nem aquele cuja marca  precisamos enrolar a língua para falar.
Brincar na chuva, tão simples e tão memorável. São tantas lembranças que nos fazem pensar o que está acontecendo com a humanidade?
Queremos carros ainda mais potentes, casas ainda mais magestosas, roupas mais clean, penteados, cabelo, maquiagem tudo que seja o mais-mais. Tanto que muitas vezes esquecemos de admirar e buscar coisas simples que também podem ser motivo de felicidade.
Experimente observar as pessoas a sua volta. Quais verbos elas mais conjugam? Resposta: Ter e Comprar.
Raras são as pessoas que se preocupam com outras coisas que não envolvam consumo.
Mais raro ainda é ver pessoas felizes sem motivos aparentes, aí voltaremos ao nosso querido escritor citado no início deste texto que expressou em mais um de seus versos: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.
Ser feliz não precisa exatamente de motivos, mas é um estado de espírito, digno de pessoas que se sentem gratas pelo simples fato de poder respirar sem a ajuda de aparelho quando muitos não podem. Ou então pela dádiva de poder caminhar pela rua enquanto muitos queriam apenas dar um passo.
Poder ver os filhos crescer, enquanto muitos queriam poder ter filhos. Ter a possibilidade de estudar, se formar, quando tantos queria apenas saber escrever o nome.
Felicidade talvez seja isso perceber o quão abençoados somos em desfrutar de coisas que há muitos não é possível.
E indo mais além, felicidade, é poder ajudar enquanto muitos precisam ser ajudados.
Na contracapa desta edição o leitor pode encontrar um exemplo factível do que estamos dizendo. Duas crianças lindas, precisam de auxílio para poder experimentar um dia o que é felicidade.
Ajude de forma anônima ou não para que eles possam um dia brincar na chuva, se lambuzar de chocolate. Correr na pracinha.
A felicidade deve aparecer a partir do momento em que deixamos de acreditar que o mundo é só nosso ou que as nossas fronteiras se resumem ao nosso quarto, e principalmente quando percebemos que a mesma dor que nos machuca, pode ferir aos outros, e que os mesmos sonhos que temos os outros também os têm.
No dicionário, a palavra felicidade é designada da seguinte maneira: é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes.
Mas na prática ser feliz implica em ter todas as inquietações possíveis, nenhum equilíbrio, e onde tudo é mutável, menos nossa vontade de ser feliz e força para ter esperança em dias melhores.
Tá aí: ser feliz é ter esperança!

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