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Quinta-feira, 02 de Fevereiro de 2012, 05h:00

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Quase trinta

Não basta ter nascido do sexo feminino, a feminilidade é algo que se aprende com o tempo


Redação: Janine de Oliveira
Crise da meia idade. Crise da idade inteira. Crise da idade em que não se acredita mais em contos de fadas.
Crise onde todas as crenças foram jogadas por terra. Crise onde muitas feridas contam histórias.
Não sei se isso é certo, mas chega um dia na vida de todo mundo, onde algumas coisas em que você acreditava já não fazem mais tanto sentido.
Quando a imagem que se projeta no espelho a nossa frente, já não é mais aquela que habita em nossos sonhos.
O vigor de antes já não é mais o mesmo. Já não estamos dispostas as mesmas coisas.
O interesse muda de foco, as necessidades se tornam menos egocêntricas, as verdades mais claras, as ilusões mais distantes, os sonhos mais palpáveis, as ideias mais centradas.
Creio que talvez tudo aquilo que minha mãe dizia faz sentido. Agora posso entender as mulheres.
Quase chegando as 30 anos, mas na cabeça e nas experiências, tantas situações já vividas, me fazem estar como  crisálida, esperando  o momento certo para a transformação.
Não acredito em fadas, nem em bruxas. Não confio mais em promessas, nem em homens. Não deixo que me machuquem, nem faço charme para transeuntes.
Não quero chamar atenção, já prefiro a coxia. Já não quero mais ser cobiçada, sei o valor que tenho.
Já não me importo mais se não terei o mesmo viço e elasticidade na pele, já posso pagar por isso.
Já não uso mais cabelos compridos, descobri que para ser fashion você precisa saber que tratamento fica bom. Já não quero desfilar pela rua de roupas justas ou mínimas, descobri que mulheres sabem camuflar suas belezas.
O meu foco não esta mais no belo aos olhos, mas no irresistível aos neurônios.
É realmente minha mãe estava certa, a mulher com o passar dos anos se torna mais atraente, mais confiante, mais inteligente e muito mais emocionante.
Pensando bem queria ter a lucidez dos meus quase 30 anos, talvez não tivesse cometido tantos erros ou por outro lado não soubesse ser tão feminina.
Só sei que ser mulher no sentido completo da palavra tem suas vantagens.
Afinal, nós mulheres de quase 30 somos como vinho nobre, sensíveis ao paladar, permitimos sensações mais intensas, e incorporamos mais experiências preciosas ao viver que nos deixam ainda mais irresistíveis.
Bom, convenhamos, não precisa ser exatamente 30, pode ser mais 40, 50. Importa que seja mulher e que saiba ser.
Não basta ter nascido do sexo feminino, a feminilidade é algo que se aprende com o tempo.
Podemos ser todas em uma só e em um só dia. Autores, poetas, pintores, cineastas, todos homens, não conseguiram com toda a sua arte expressar o dom de ser mulher. Sim. Ser mulher é um dom.
Se nasce com ele. Se aprende com outras mulheres como utilizá-lo. E não importa se no campo ou na cidade, simples ou letrada, executiva ou agricultora. Toda a mulher sabe o ser por instinto, por sensibilidade, por natureza, por direito. Ao contrário do que se pensa, não queremos dominar o mundo. Ele já nos pertence.

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