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Segunda-feira, 30 de Novembro de -0001, 00h:00

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O passado e o futuro da informação

Para saber a real importância de algo em sua vida, imagine ela sem isso. Pense em sua vida sem informação.


Redação: Janine de Oliveira
Caiu mais um gigante da comunicação. Ontem, quarta-feira (31) foi publicada a última edição do Jornal da Tarde, do Grupo Estado, de São Paulo.
De acordo com informações a decisão se deu por fatores financeiros, o Grupo Estado decidiu suspender as operações do JT por decisões estratégicas, passando a concentrar seus investimentos unicamente no Estadão. Essa é uma tendência mundial. Meios de comunicação deixaram de ser utópicos para agregar técnicas e noções empresariais. Afinal de contas essa é uma empresa que presta um serviço e tem como produto o conteúdo, o fato, a verdade.
No editorial um tom de suicídio marcou a despedida do impresso que em 46 anos marcou a vida dos paulistanos com edições que chegavam às ruas à tarde, com a frase: “O Jornal da Tarde (JT) sai de cena hoje para entrar para a história do jornalismo brasileiro na muito rarefeita categoria das utopias realizadas”. Lembrando a famosa carta suicída de Getúlio Vargas, que em agosto de 1954, disse em seu último ato sair da vida para entrar na história.
Reproduzimos aqui trechos dessa despedida que nos faz pensar também que rumos a sociedade está traçando: “No momento em que não só o jornalismo, ferramenta essencial da democracia, mas o pensamento escrito como um todo se debatem novamente numa crise que é, essencialmente, uma crise universal de desajuste de velocidades, vale a pena nos determos mais uma vez nesse aspecto que, para o bem e para o mal (quando a vantagem do tempo de processamento lhe foi suprimida), definiu a história e a trajetória do Jornal da Tarde.
A inteligência humana e a civilização só puderam se desenvolver quando o sucessor do macaco se organizou o bastante para não ter mais de dedicar 100% do seu tempo a correr atrás de comida ou fugir dos predadores. Era este o mundo que lhe tinha sido dado. 
Passados 200 mil anos de luta, vamos, de certa forma, recriando, agora voluntariamente, aquela mesma situação. E as modernas ferramentas de comunicação estão no centro desse estranho processo de regressão.
A submissão acrítica ao fascínio da velocidade sem rumo devolve a humanidade a uma crescente incapacidade de pensar e vai reduzindo a vida a uma sucessão de reações automatizadas de sobrevivência onde somos nós que, em bando, servimos às máquinas e não elas que nos acrescentam à individualidade, à segurança e ao conforto material ou espiritual.
Superar a barbárie e dar a cada homem as rédeas do seu próprio destino é o objetivo da democracia. O jornalismo está a serviço dela e esta, há 137 anos, tem sido a casa do jornalismo.
É nossa a responsabilidade, agora discutindo o papel central que nós próprios temos tido na construção dessa nova Babel, de contribuir para deter essa voragem e devolver aos homens o grau possível de controle sobre suas vidas”.
Esse fato, que parece distante, nos faz repensar na forma como valorizamos os meios de comunicação sérios. Para saber a real importância de algo em sua vida, imagine ela sem isso. Pense em sua vida sem informação.  Como você conseguiria não ter acesso a fatos, conhecimento? Como seria sair de casa sem saber como será a previsão do tempo, sem folhar o jornal e saber de tudo o que acontece? Os tempos mudam, precisamos reinventar as formas, mas os meios de comunicação sempre terão sua difícil missão, às vezes não valorizada, de prestar um serviço à comunidade.
Vida longa ao O Diário e Cliquef5, que mantém o passado e o futuro da informação vivos.

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