EDITORIAL /

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012, 16h:51

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Cerol virou caso de polícia

PORQUE NINGUÉM AINDA FEZ NADA?


Redação: Janine de Oliveira

“Eu vou passar cerol na mão. Vou sim, vou sim!” - Há tempos que empinar pipa deixou de ser uma brincadeira inocente para se tornar coisa séria, caso de polícia. E o pior é que ninguém toma uma providência. Ontem foi destaque em O Diário o caso do rapaz que teve o pescoço gravemente cortado, e quase perde a vida, por pura imprudência, e indo mais além por permissividade da sociedade.
A manchete trazia a seguinte chamada – Cerol fez mais uma vítima – ora se foi mais uma, isso significa que houve outras que a antecederam e a pergunta que não quer calar é: Porque ainda ninguém fez nada? A indignação com o descaso quando se trata de prevenir acidentes fatais nos leva a pensar e novamente formular perguntas do tipo: E se fosse o filho de uma autoridade? Por exemplo, o filho do prefeito, do promotor, do delegado? Porque somente o filho de um cidadão pode sofrer com isso?
Há caso de cidades brasileiras em que os motoqueiros precisaram instalar antenas na frente da moto para evitar que as linhas de cerol os peguem de surpresa. PONTO Mas essa não é uma medida certa, pois não educa. Onde estão as mentes pensantes de Primavera do Leste que ainda não criaram um projeto educativo? Onde está o Conselho Tutelar que não organizou parcerias para implantar medidas sócio-educativas? Alguém precisa fazer algo. Esperamos que façam. Ou alguém precisa morrer antes?
Poder público, sociedade organizada, os pais e essas crianças podem se unir para aproveitar a criatividade e vitalidade para algo mais produtivo. O certo é que a mente vazia é a oficina do diabo.
Não podemos admitir que coisas como estas aconteçam. Não adianta dizer que a imprensa é sensacionalista, ou que vive atrás de coisas ruins para contar. Nos deem motivos para elogiar que o faremos. Nós apenas contamos fatos, então que fatos positivos surjam através de projetos inteligentes e seremos parceiros na divulgação.
E divagando um pouco mais,  com atitudes como essa estamos ensinando para esses futuros cidadãos, que inconsequência rima com impunidade, quando deveríamos mostrar que somos responsáveis pelas nossas atitudes. 
Ideias existem aos montes, temos certeza que com boa vontade e um pouco de esforço algo pode ser feito para marcar a história de uma população. Administrar bem não é somente organizar papeis em uma mesa, escapar do Tribunal de Contas, mas ter responsabilidade com o que se faz.  Uma cidade é e tem muito mais do que meros gabinetes com ar-condicionado. Há muito a ser feito. É preciso que aqueles que possuem poder para realizar as mudanças as queiram em primeiro lugar. Não procuramos culpados para apontar o dedo inquisidor, mas aqueles que assumiram responsabilidades com a sociedade, que se apresentem. Precisamos de líderes sim, não só idealistas e pró-ativos, mas também realizadores.
A capacidade humana de melhorar é fascinante, basta que a usemos da forma correta. A preocupação com a vida. Não importa se é filho do prefeito, do promotor, do delegado, do pedreiro, do gari, do professor, do empresário ou do aposentado. Todos têm o mesmo direito. As pipas precisam voltar a significar brincadeira, infância e lembranças boas.

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