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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012, 09h:33

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As peneiras de Sócrates

o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti


Redação: Janine de Oliveira
Existem momentos que precisamos de inspiração. Uma boa dica é buscar entendimento no trabalho de grandes gênios da humanidade.
A dica de hoje é para uma passagem conhecida de Sócrates, o filósofo e pensador Grego do período renascentista.
Tratasse de As Três Peneiras de Sócrates. Reza a lenda que um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE.
Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.
O homem então em silêncio deixou o pensador sozinho. Sinal que o que ele tinha de tão importante para falar a respeito de outra pessoa não era tão importante assim.
Há uma grande máxima que diz que não devemos falar de pessoas, mas de ideias. E isso deveria ser levado em conta, pois quando se discutem pessoas se perde tempo com conversas sem solução.
O ensinamento de Sócrates deveria ser uma máxima levada adiante, quantas confusões, discussões e desentendimentos poderiam ser evitados.
Falar sobre a vida alheia é uma prática bastante antiga, do tempo das cavernas. Os homens da pré-história buscavam informações acerca da vida de outras pessoas para saber de suas fraquezas, seus medos, o que sabiam fazer, seus desejos e outros.
Naquela época, não havia a escrita e consequentemente as informações eram passadas oralmente. A fofoca então passou a fazer parte não só da vida social, mas também da parte política, onde era usada para desmoralizar os monarcas, e da história da humanidade, onde uma informação errada poderia mudar toda a trajetória da história.
Em 1560, a rainha Elizabeth I foi fortemente atacada por fofocas a cerca de sua vida pessoal. Em 1917, o czar Nicolau II e sua esposa foram vítimas de fofocas que focavam a vida íntima do casal.
Parece até normal ou corriqueira, mas que não atrapalhe o bom convívio. Lembrem-se as três peneiras podem ser utilizadas em qualquer momento de nossas vidas, dizendo sempre a verdade (comprovada), ter real noção da utilidade e principalmente não denegrir a imagem de ninguém.
Como diz o dito popular: um dia se é pedra no outro se é vidraça.

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