Editorial /

Terça-feira, 12 de Julho de 2011, 21h:47

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Agrotóxicos são perigo no prato

Ele acabaou com a prática vergonhosa do oferecimento de propinas às empresas



O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. Apesar de aumentar a produtividade na lavoura, seu uso acarreta problemas de saúde e perda da biodiversidade, contaminando o solo, a água, a flora e a fauna.

 Devido ao clima tropical, à incipiente informação por parte dos fabricantes e ao monitoramento precário do poder público, muitos agricultores não têm o necessário cuidado ao manipular os produtos.

 Em 2007, 3.306 produtores sofreram intoxicação pelas substâncias no País e, desses, 23 morreram. Diversos estudos apontam para casos de câncer, alterações hormonais e riscos maiores de distúrbios neurológicos, em especial a depressão, que pode levar ao suicídio, em pessoas expostas a agrotóxicos por longos períodos.

A Anvisa constatou que, entre 2001 e 2004, das 4 mil amostras de culturas oriundas de 13 estados, 83,4% continham resíduos de agrotóxicos não autorizados e 16,6% estavam acima do limite máximo de químicos recomendado.

Em junho de 2009, o órgão intensificou a fiscalização das empresas do ramo. Nas seis companhias vistoriadas, foram encontradas irregularidades. Ao todo, 9 milhões de litros do material foram interditados. De janeiro a março deste ano, já foram apreendidas 10,95 toneladas de produtos falsificados nas lavouras do País.

 Por isso, deve-se priorizar o consumo de alimentos orgânicos. Além de não agredirem o meio ambiente, eles possuem em média 25% mais nutrientes do que os convencionais. O milho cultivado sem agrotóxico contém 58% a mais de componentes que ajudam a proteger o coração, e os tomates, morangos e amoras orgânicos, cerca de 20%. No Brasil, os alimentos orgânicos movimentam mais de US$ 250 milhões por ano.

Com a Lei de Produção de Orgânicos, detalhada no final de 2009, teremos condições de tornar a nação uma grande produtora, já que as normas dão segurança e incentivam investimentos na área. Atualmente, os orgânicos são cultivados por somente 1,8% dos agricultores brasileiros, e 60% da produção é exportada. Contudo, o mercado internacional do setor movimenta em torno de US$ 50 bilhões anualmente. Para que o segmento possa desenvolver um mercado pujante, é fundamental que os consumidores tornem-se cada vez mais conscientes e exigentes, e que os governos colaborem mais. As unidades de ensino poderiam dar preferência aos orgânicos nas refeições escolares, ideia por nós defendida em um projeto de lei.

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