EDITORIAL /

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011, 09h:05

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A sociedade precisa se envolver mais, lutar mais

QUANTO MAIS HÁ OMISSÃO, MAIS AUMENTAM OS CRIMES E A IMPUNIDADE SOCIAL


Uma matéria veiculada em uma rede de televisão da capital ontem, chamou minha atenção: furtos em escolas, tanto estaduais quanto municipais. 

É um fato que de vez em quando também tem ocorrido em escolas do nosso município.

O contexto sob o qual a entrevista transcorreu no entanto é que me leva a esta observação.

 Primeiro o jornalista questionava os entrevistados, um da área de segurança o outro de uma das escolas sobre “o que fazer para evitar estes roubos?”. Bem, neste caso não são roubos, mas furtos, como bem delimita a legislação.

 Tudo bem que roubos também acontecem na capital, com vigias muitas vezes sendo rendidos. Mas outros pontos surgiram como o questionamento sobre “a polícia manter-se nas escolas com as viaturas”.

 Bom, parece-me uma questão até certo ponto emblemática porque, em que pese existirem as patrulhas escolares, tanto faltam policiais em Cuiabá como em Primavera ou Sinop, ou Rondonópolis, enfim, já são duas questões diferenciadas.

 Ao mesmo tempo as escolas estão sendo furtadas geralmente quando não estão acontecendo aulas e certo é que nestes momentos seria quase impossível manter viaturas para cuidar das escolas, fechadas e sem alunos.

 Ao mesmo tempo foram colocadas situações sobre a presença de guardas municipais. Ora, ficaria a Guarda Municipal também a cuidar do prédio? Bom, o que se demanda desta discussão é justamente o investimento em servidores [no caso vigias para as escolas] e ao mesmo tempo a participação da sociedade.

 Recentemente quando da entrada de “furtadores” em uma escola de Primavera, num primeiro momento não havia ninguém e alguns objetos foram levados. No dia seguinte, quando retornaram um vigia que estava no local impediu um prejuízo ainda maior e mais tarde, com a participação da sociedade que denunciou e da polícia que fez o seu papel, os suspeitos foram detidos e parte dos objetos furtados, recuperados.

É necessário portanto que a sociedade saiba cobrar, mas de forma consciente. Primeiro saber que a legislação permite muitas injustiças mas quem faz as leis não são os policiais e outros ordenadores da legislação. Em um segundo momento todos querem criticar, mas poucos querem se envolver.

Quando um cidadão tem a casa arrombada, furtos acontecem ou roubos, muitos se negam até mesmo a ir à Delegacia e preferem reclamar, sem que nada seja feito. Por pouco que seja, pelo menos deve haver manifestações.

Em outros momentos quando uma pessoa cai em golpes, como do sequestro, da lista telefônica e agora do mais recente que é o do protesto de títulos, também não procura a autoridade policial. Ao fazer isso no entanto, apenas dá mais forças para que novos crimes continuem sendo cometidos, golpes aplicados e cidadãos prejudicados.

 Mas entre estes, todos cobram um posicionamento se no entanto se dirigir até quem possui a competência para ouvi-lo. A imprensa tem o seu papel de denunciar e muitas vezes levar o clamor social para mais longe, quer seja através do impresso, da internet, da TV ou do rádio. Fica porém difícil querer fazer isso quando o cidadão se nega a “mostrar o rosto” ou dar a cara a tapa, no jargão popular.

Sob esta óptica ontem mesmo um outra reportagem chamou a atenção quando uma notícia deu conta de que dois homens, pai e filho, haviam apanhado em São Paulo, apenas porque estavam abraçados e um grupo de “intolerantes” acreditou serem gays. O cidadão - deve ter os seus motivos - não quis mostrar o rosto.

Mas, me pergunto se com esta atitude não estará fomentando ainda mais situações como estas, afinal de contas a vítima injustiçada foi ele, mas opta por não querer se mostrar. É dessa forma portanto que a sociedade vai caminhando. Cada um com as suas escolhas, porém ao mesmo tempo com a certeza de que quanto menos integração, companheirismo e envolvimento nas questões sociais, esta própria sociedade fica a cada dia pior e contribui para que a impunidade aumente ainda mais em quaisquer que sejam os seus níveis.

 

 

 

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