REFLEXÃO /

Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019, 07h:00

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Vingança não é justiça

“Os dias passam lentos, as horas machucam como espinhos, mas eu tenho força e confio na chegada da justiça.” - Anônimo


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Luciene Afonso

De certo que todos já ouviram falar na antiga lei do Talião: olho por olho, dente por dente. Alguns podem até pensar que ela é uma forma de justiça, mas não passa de vingança porque quando eu retribuo o mal com mal, eu me torno a referência do meu agressor. Concordo que é difícil muitas vezes superar o sentimento de raiva dentro de nós, pensamentos que não são diferentes do mal que nos fizeram, mas se eu sou capaz de fazer o mesmo serei igual ao meu agressor, concorda?

As previsões legais estabelecidas não beneficiam diretamente dores sofridas por alguém que se sentiu ferida no seu amor próprio, na alegria de viver, nos motivos que ela tem para frequentar determinados ambientes sociais como o trabalho e na própria satisfação enquanto ser humano ou na sua honra, que é a imagem pública do valor de uma pessoa, e não verdadeiramente o seu valor,  ela é aquilo que os outros acreditam que uma pessoa vale. Aí nasce o desejo de vingança que se alimenta necessariamente do sentimento de desonra que se sentimos referente a algo que possa ter manchado a nossa reputação. 

A vingança não tem em si nenhum traço de ética ou valor moral, ela é usada de maneira equivocada para que de certa forma algo seja devolvida a parte de si mesma que foi perdida, como a dignidade. E racionalmente sabemos que o que foi perdido não se recompõe, o que acontece é que um ciclo se fecha para que outro se abra para que tenha continuidade até  que surja o próximo cristal a ser quebrado no teatro da nossa existência.

A vingança  destoa da verdadeira justiça porque ela tem um fim em si mesma, exige que seja usada muitas vezes de atitudes superiores ao ato em si no que se refere a crueldade e ela é, acima de tudo, de cunho pessoal.

A satisfação é somente para quem se dedicou a ela, como uma vitória pessoal e irretocável.

Enquanto a justiça vai além e traz um resultado amplo, ela se baseia no fim de determinada ação delituosa para que ninguém mais sofra com isso, enquanto a vingança aprisiona e diminui as pessoas porque destoa da verdadeira justiça  e exige que sejam usadas atitudes superiores ao ato em si no que se refere a crueldade, e ela é acima de tudo de cunho pessoal, a satisfação é somente para quem se dedicou a ela, como uma vitória pessoal e irretocável. Onde está a ética e a justiça nisso?

A relação direta e privada da vingança nos impede de viver o laço social com as pessoas onde eu posso até não concordar com o que ela fez de errado, mas a minha intenção principal é que aquela ação seja punida de maneira exemplar e que recaia sobre o autor as consequências cabíveis, nada além disso, para que não haja mais vítimas daquela ação causada pela mesma pessoa.

Para viver em sociedade é importante que a virtude do respeito ao outro seja garantida, que de fato o direito de um não prevaleça sobre o outro porque ninguém está acima da lei, consequentemente também nenhum ser humano se encontra abaixo dela.

Há injustiças que de forma alguma serão reparadas, embora suas consequências podem ser tratadas, a própria busca do autoconhecimento é um caminho seguro e saudável para encontrar o equilíbrio necessário para seguir em paz.

Após o entendimento  que ocorreu algo errado e que pode ser feita justiça em relação a isso, passando por um processo legal com calma e razão, mesmo com a possibilidade de falhas, é o correto a ser feito.

A ideia de se vingar deve ser trocada a todo custo pelo desejo de justiça, nela inclui o perdão e uma visão de renascimento no futuro, só ele é capaz de libertar uma vítima da dor definitivamente.

 

Luciene Afonso

Master Coach - Febracis

Jornalista

Palestrante

Analista Comportamental

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