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Domingo, 03 de Novembro de 2019, 08h:45

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DE ONDE VIM, ME FORMEI

Vim de criação dividida. Onde avós, irmãos, tios, padrinhos e vizinhos podiam e tinham o dever de me educar também. E me repreender.


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Marcos Bidóia é vendedor de parafusos e ferramenta

Vim do chão vermelho.  Das ruas de barro.  Das casas de madeira. Da cidadezinha com alto falante central em uma torre divulgando músicas, notícias e novelas.

Vim dos cafezais, do rádio ligado nas madrugadas em casas de madeira e sem forro.

Onde as sombras das lamparinas no telhado de telhas de barro mostravam tias já trabalhando.

Vim das minas d'agua, dos corgos e das lagoas.

E das pescarias de lambaris.

Vim das pizas de chinelo e dos puxões de orelhas. Moldadores do meu caráter.

Vim dos abraços de primos e de amigos.

Vim dos estilingues e carrinhos de rolemã.

E das brincadeiras noturnas com meninas e meninos: "qué esse?", passa anel...

Vim daí.

E dos serviços caseiros. Das limpezas de quintais. Vim do "trabalho infantil". Agradecido pelos trabalhos que me deram ainda criança.

Vim de criação dividida. Onde avós, irmãos,  tios, padrinhos e vizinhos podiam e tinham o dever de me educar também. E me repreender.

Vim de casas sem televisão.  E mais tarde, de televisão dividida com vizinhos.

Casas sujas e mães felizes por vizinhos na sala da tv.

Vim de filtros de água de barro e de fogões a lenha. Vim das tarefas de rachar lenha para eles.

De músicas estranhas eu vim. E que por algum motivo não as esqueci.

Vim de capelinhas e igrejas nos domingos.

De cemitérios não entendidos e de mortes não compreendidas.

E de caixões com corpos sendo repassados de mãos em mãos nos cortejos.

Vim daí: de mães gritando em cortejos.

Vim de matas caindo e todos aplaudindo o desmatamento. 

Era uma vitória de homens e de famílias destemidas.

Vim de tantas coisas, tantas...

Trago a vida repleta de onde vim e do que vi e vivi.

Vim de pés descalços e vermelhos.

De unhas compridas e sujas. ( só até o domingo de missa).

Vim de ruas de poeira. De janelas de casas se abrindo e fechando ao sabor do pó.

Pó?

 

Vim de ruas de pó e se ao pó eu retornarei, estarei então pronto e feliz.

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