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Domingo, 15 de Setembro de 2019, 12h:30

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Com protagonista não-binária, "Todxs Nós" é a nova aposta polêmica da HBO

As séries da HBO costumam fugir dos clichês e, depois de “Pico da Neblina”, produção que apresenta um Brasil no qual a maconha é legalizada , o canal...


Imagem de Capa

As séries da HBO costumam fugir dos clichês e, depois de “Pico da Neblina”, produção que apresenta um Brasil no qual a maconha é legalizada , o canal aposta em outra produção nacional com um protagonismo não convencional. “Todxs Nós” tem como foco uma personagem não-binária que vem para São Paulo viver com o primo. O iG visitou os bastidores da produção e conta o que já descobriu da série que ainda não possui data de estreia.

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Divulgação/HBO
"Todxs Nós" é a nova série da HBO que conta a história de Rafa, Maia e Vini


“Tudo começou quando eu vi um documentário sobre três pessoas não-binárias e eu achei aquilo muito interessante, ver como aquelas pessoas se viam, como enxergavam a sexualidade. Quando eu chamei o Daniel [Ribeiro] para escrever fiz essa proposta”, afirmou a diretora Vera Egito que, após se aprofundar no assunto para “ Todxs Nós ”, começou a questionar por que ser homem ou mulher é mais importante do que ser humano.

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Vera divide a direção da série com Daniel Ribeiro, responsável pelo premiado “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. “As pessoas querem se ver retratadas, a gente acaba se acostumando a ver um padrão heteronormativo e as séries permitem novas possibilidades. As pessoas querem novas histórias, ninguém aguenta mais as mesmas histórias sendo contadas”, comentou o diretor que tem claro que poucas pessoas sabem o que é ser não-binário.

Vera Egito e Daniel Ribeiro no cenário de Todxs Nós arrow-options
Divulgação/HBO
Vera Egito e Daniel Ribeiro são os diretores da nova série da HBO

Na trama, Rafa (Clara Gallo) não se reconhece nem mulher, nem como homem, é como se seu gênero fosse neutro. Ao deixar sua casa, Rafa vem para São Paulo morar com o primo Vini (Kelner Macêdo), e sua colega de quarto Maia (Juliana Gerais). Além de colocar uma pessoa não-binária em protagonismo, a série, classificada como uma comédia dramática, trata de outras questões relevantes como homofobia e racismo através dos seus protagonistas.

No processo de preparação, a atriz principal da série sofreu um acidente de bicicleta e precisou ficar uma semana afastada. “Não foi nada grave, mas foi suficiente para dar um susto e me fazer repensar na vida, então quando voltei foi como um avalanche, eu mergulhei nessa série”, comentou Clara que conviveu com pessoas não-binárias para conseguir encontrar Rafa dentro de si. “Isso trouxe um milhão de entendimentos, um milhão de possibilidades.”

Ela ou ele?

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Divulgação/HBO
Rafa, protagonista de"Todxs Nós", é uma pessoa não-binária

Um dos grandes desafios do processo de criação foi adotar pronomes e palavras neutras. Rafa, por exemplo, não é chamado de “ele” e nem de “ela”. “Até agora é difícil a questão dos pronomes, é como se estivesse falando uma nova língua, tem palavras que não sabemos como fica no neutro. Todo mundo se ajuda, não é simples. A gente também está aprendendo”, pontuou Daniel.

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O palavreado pode causar certo estranhamento no público, mas Vera ressaltou que “ter pronome neutro em uma produção audiovisual é um avanço de uns mil anos, pois não tem ninguém falando sobre isso”. “Você vai ligar a TV e ver a pessoa falando ‘eli’, ‘cansadi’”, acrescentou.

Indo contra o conservadorismo

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Divulgação/HBO
A série promete polemizar por trazer novas questões para a trama principal

Por abordar uma temática não convencional, a série promete ser polêmica e Daniel adianta que os personagens estão longe daquela imagem de pessoas perfeitinhas.  “A gente escreveu em uma transição política no País, após a eleição a gente pensou :‘será que o Brasil pra quem a gente escreveu é o mesmo de agora?’”, confessou o diretor.

Vera acrescenta que eles tiveram um breve momento de pânico após Bolsonaro assumir a presidência e até pensaram em mexer no roteiro, mas acabaram desistindo. “Não mudamos muito porque a resistência segue após essa onda conservadora. A série continua tento o mesmo papel, se não um papel mais importante. Torço para que as pessoas que acham que ser trans ou não-binário é errado assistam a série e se conectem com os personagens afetivamente”, conclui a diretora de “ Todxs Nós ”.

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