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Sexta-feira, 08 de Maio de 2020, 14h:57

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AGRONEGÓCIO: crise devido a pandemia pode atingir em cheio a economia local

O algodão, um dos principais produtos agrícolas do município, pode ser muito afetado pela variação cambial.


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Mais de 90% dos municípios mato-grossenses tem sua economia baseada na agricultura, Campo Verde não é diferente, e nessa pandemia global todos os setores acabaram sendo afetados, inclusive o agronegócio.

 

Nem o calor, nem o frio, nem a chuva e a seca, desta vez nem mesmo as pragas são a maior preocupação do homem do campo.  Na lavoura tudo segue as mil maravilhas ! O maior inimigo do agronegócio nessa época é a variação do câmbio financeiro. Que está trazendo muitas preocupações.

 

O corretor de grãos da corretora Bom Sucesso, José Luís de Lima (Zeca), explicou os fatores que trazem preocupação principalmente para os produtores de algodão, um dos produtos agrícolas mais importantes da economia local.

 

Segundo ele devido à variação do Dólar, o custo de produção do algodão vem subindo bastante, na contramão os principais mercados de exportação estão comprando menos e ainda tem dificuldades de embarcar as poucas exportações que vem sendo realizadas.

 

“Com esse cenário, muitos produtores vão ter dificuldades em quitar suas dívidas, que geralmente estão atreladas ao Dólar, na época que realizaram esses contratos o cambio estava muito diferente, esse aumento no custo que não estava planejado, que pode chegar até R$ 1,50 em alguns casos, podem zerar ou até mesmo deixar negativa a operação.”

 

Para se ter uma ideia do que estamos falando, em dezembro de 2019 o Dólar estava na casa dos R$ 4,21 e hoje (07) chegou ao seu pico de valor R$ 5,70. Um milhão em insumos representava R$ 4.210.000,00 (quatro milhões duzentos e dez mil) e hoje representa R$ 5.700.000,00 (Cinco milhões e setecentos mil), um prejuízo na casa de R$ 1.490.000,00 (um milhão quatrocentos e noventa mil) quase um milhão e meio de reais a mais.

 

Esses valores tem que sair de algum lugar na lavoura, ou seja, da margem de lucro que já não é tão alta quanto muitos imaginam, se torna muito vantajosa quando os preços estão altos, frente a um custo normal de produção, o problema é que o preço da commoditie que em tempos recentes chegou a ultrapassar os R$ 130,00 hoje fica em média R$ 100,00 (claro que existem variações diárias).

 

Com a união destes dois fatores, e contas altas em dólar que não param de chegar, a perspectiva é realmente assustadora, principalmente para quem não realiza um planejamento com muita antecedência.

 

Mas segundo o especialista, para quem ainda tem soja disponível, a situação é justamente o contrário, o mercado externo está com uma demanda alta da oleaginosa, devido a vários fatores, o principal é a necessidade dos países importadores, principalmente a China, aliado a guerra comercial que ainda está sendo travada com os EUA, que também é um grande produtor, e uma quebra na produção dos estados do sul e sudeste que podem chegar até 30% de produtividade devido a seca, o mercado ficou favorável.  Como as exportações estão atreladas a essa mesma variação do câmbio, que se tornou vilã do algodão, para quem ainda tem soja armazenada se tornou altamente lucrativa.

 

O mercado do milho também se mantém estável, já que boa parte dessa produção fica realmente no mercado interno, o que pode preocupar tanto os produtores de soja e milho é somente o travamento dos custos de produções futuras, já que desta vez serão maiores devido a variação cambial, mas a tendência é que o mercado continue tendo liquidez, o que ameniza esse custo elevado de produção.  

 

As consequências dessa queda do algodão pode ser refletida rapidamente nos demais setores da economia local, segundo Zeca, muitos produtores podem ficar no vermelho, pois é provável que não consigam honrar com seus compromissos, iniciando uma cadeia de fatores como a falta de investimentos, desemprego, retração de negócios inclusive nas industrias que transformam essa matéria prima, desestabilizando ainda mais o mercado local, que já está abalado devido a pandemia.

 

Um fator que pode vir a amenizar esse problema, é uma ajuda do Governo Federal e das instituições financeiras, que já sinalizaram positivamente para um financiamento maior dessas dívidas, até mesmo com período de carência, que pode garantir um folego até que a situação seja estabilizada.    

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