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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017, 07h:00

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Polícia Militar implantará o projeto Patrulha Maria da Penha em Primavera do Leste

O evento é mais uma etapa do projeto social pós-ocorrência Divvam


Imagem de Capa
Jaqueline Hatamoto

Na noite de terça-feira (17), policiais militares participaram do 1º seminário de Enfretamento a Violência Contra a Mulher, o evento é mais uma etapa do projeto social pós-ocorrência de Direcionamento e inclusão às Vítimas em Amparo a Mulher – DIVVAM, que é desenvolvido desde 2016. Também foi anunciado a implantação da “Patrulha Maria da Penha” em Primavera do Leste, em 2016.

O comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Marcos Antônio, explica que o seminário serve como capacitação aos policiais militares, para que tenham ainda mais conhecimento e noção de como lidar com as vítimas de violência doméstica. “O projeto passou por diversas fases, primeiro capacitando e treinando os policias militares para fazer um atendimento adequado as mulheres vítimas de violência, para que a mulher seja menos exposta, e não seja mais uma vez agredida com palavras ou atitudes do policial militar; que ele seja visto pela vítima como um ponto de apoio”, explicou.

A ex-superintendente de políticas para as mulheres do estado de Mato Grosso, Isabel Cristina Gama da Silveira, foi a responsável pelo seminário que teve como foco o empoderamento de homens e mulheres. “O tema é sobre violência contra mulher, apresentei alguns dados sobre a violência contra as mulheres, mas eu quero falar sobre o potencial de homens e mulheres, tanto que a palestra se chama “Despertando seu Potencial”, pois aborda a questão da violência, mas também do empoderamento. Quando os homens e mulheres ficam empoderados de si mesmos, eles não precisam utilizar de nenhum tipo de violência ou agressividade”, expõe.

Silveira destacou que ter uma plateia composta de policiais militares é de extrema importância, pois muitas vezes o militar é quem tem o primeiro contato com a vítima, e é preciso que esse policial entenda o que ela passa. “A primeira porta que se abre para a mulher vítima de violência, é o policial militar que abre, seja ele homem ou mulher, eles muitas vezes não têm o abrigamento, a capacidade de abrigar essa mulher, geralmente existe um pré-julgamento, “ah essa mulher gosta de apanhar”, “essa já foi mil vezes na delegacia”. Temos que acabar com esse pré-julgamento, é preciso pensar que a mulher está assustada, está confusa. E muitas vezes pensa em ajudar, acredita que o marido vai mudar, e acaba sendo vítima novamente”, frisou.

Eusenir Ribeiro, presidente do Conselho Municipal de Defesa da Mulher – CMDM, ressaltou a importância do projeto social desenvolvido pela PM, “tudo que vier para ajudar a mulher, para nós é válido e é mais um projeto que vem somar e ajudar as mulheres. Sem dúvidas a PM fica mais perto da vítima, e é importante que estejam cada vez mais capacitados a orientar e acolher a vítima”, diz.

 

PROBLEMA ANTIGO QUE MERECE SER DEBATIDO

Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, hoje, contabilizamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime.

De acordo com o tenente coronel Marco Antônio, o tema nunca será algo repetitivo, “em vários locais participamos de seminários, e por mais que pareça um tema repetitivo ainda não tem sido o suficiente para evitar que novas mulheres sejam vítimas de violência, por isso debater esse tema é de extrema importância, pois a cada vez que falamos sobre o assunto uma vítima se encoraja e denuncia o agressor”.

A  ex-superintendente de políticas para as mulheres do estado de Mato Grosso, Isabel Cristina Gama da Silveira, acredita que os números de agressões não diminuem, pois dentro da cultura brasileira está inserida um pensamento que bater em mulher é algo normal.

“Sem perceber educamos nossos filhos, e quando o irmão bate na irmãzinha, dizemos que isso é normal, há até quem diga “cresci apanhando do meu irmão”, não corrigimos determinadas ações, então a menina cresce apanhando e o menino cresce batendo. Nossa cultura está impregnada de situações onde a mulher é servil, serviçal, e ela não tem que se posicionar e nem ter identidade. Então, apesar de ter consciência a sua identidade fica enfraquecida se tomar uma atitude diferente, mas a mulher ela pode se libertar de uma série de condutas sem perder a identidade potencial”.

 

PATRULHA MARIA DA PENHA 

 

Durante o evento o comandante do 14º batalhão de Primavera do Leste, tenente coronel Marco Antônio, destacou que o projeto social será concluído em 2018, com a implantação da “Patrulha Maria da Penha”.  A ideia é oferecer às vítimas algo muito além do contato no momento da confecção do Boletim de Ocorrência, mas também um acompanhamento da vítima e do agressor. “A guarnição vai até local ver como está a convivência do casal, desta forma acreditamos que essa presença do policial fardado na residência, vai mostrar para mulher que ela não está sozinha, e deixar claro ao homem que ele deve deixar de ser agressor. Mas o motivo principal do projeto é garantir o restabelecimento da força familiar”.

 

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