VELHA JOANA /

Terça-feira, 14 de Novembro de 2017, 07h:00

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Proposição artística: Por Acaso um Carteiro, Conectados na Arte (Pontes e Lacerda)

“Por Acaso um Carteiro” é teatro para todas as idades. Um feito e tanto!


Imagem de Capa
Wuldson Marcelo

Baseado no livro “Kafka e a Boneca Viajante” (2006), do catalão Jorri Sierra i Fabra, o espetáculo infantil “Por Acaso um Carteiro”, adaptado por Rosenete Querino e codirigido por Rosenete e Regiane Querino, transporta-nos para a Berlim de 1923, quando o escritor austríaco Franz Kafka encontrou uma menina no parque Steglitz. A criança chorava por ter perdido a boneca. Kafka, desolado com a imagem, prometeu ajudar a menina, mas como não encontrou o brinquedo desaparecido, criou a estória de uma boneca que viaja os quatro cantos do mundo e relata as experiências em cartas para a dona. Assim, começa a aventura de Kafka, o primeiro carteiro de bonecas que se tem notícia, Elsi, a menina que amava a boneca, e Brígida, a boneca viajante.

E para dar vida a este enredo que valoriza a imaginação e pontua os mais variados sentimentos pelos quais passamos em nossa existência, e os quais precisamos compreender e descobrir o melhor modo de lidar com eles, Rosenete e Regiane Querino apostaram em dividir os papéis centrais entre diversas crianças, deste modo, Kafka foi interpretado por seis meninos e Elsi por dez meninas. O entrosamente entre eles é inegável, o que contribui para o musical funcionar de modo envolvente e as interpretações serem emotivas e engraçadas na medida certa. Além disso, o cenário minimalista, em que um grande banco de praça é o objeto cênico principal, circunscreves o limite entre a imaginação, que engendra distâncias – e  mostra uma amorosa Brígida –, e a realidade da separação. Enquanto Kafka – que lê as cartas, já que Elsi ainda não foi alfabetizada – vai inventado lugares em que Brígida afirma a liberdade e conhece culturas, com belezas e vicissitudes, a menina e o escritor criam uma rotina em que ambos aprendem e descobrem, como nos ensina o provérbio português, que não há tristeza que dure para sempre, nem felicidade que nunca se acabe. A partida de Brígida causa dor, mas, alhures, Elsi, que quer ser adulta, já que criança não tem direito a nada, esquecerá a amiga e continuará em frente. Assim como a relação entre Kafka e Elsi. As coisas findam, o fim faz parte do começo. Elsi, por intermédio de uma fantasia e de Brígida, recebe lições de Kafka ao mesmo tempo em que aprende que medo, esperança, frustração, aceitação etc. constituem nossas ações de sentir, os afetos que nos atravessam.

A aventura de Kafka e Elsi é a preparação para as perdas que teremos ao longo do caminho. E, em última instância, é um ensinamento de que seguir em frente é a melhor das qualidades humanas. E, nisso, compaixão e solidariedade são fundamentais. A empatia de Kafka que nasce de uma boneca perdida transforma-se em um processo de amadurecimento para Elsi.

 

“Por Acaso um Carteiro” é teatro para todas as idades. Um feito e tanto!

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22.11.2017 - 16h53
O que você acha que deve ser feito com os carrinhos de lanche em PVA?
Devem ser retirados das avenidas!
Devem permanecer onde estão!
Devem ficar todos na Praça de Eventos!
Devem ser realocados para as praças da cidade!