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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017, 18h:07

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Jogo mortal da Baleia Azul chega em Primavera do Leste

Embora a polícia local não tenha casos registrados, há relatos de pais


Imagem de Capa
Jaqueline Hatamoto

Monitoramento e muito diálogo é o que psicólogos aconselham aos pais de crianças e adolescentes, devido a crescente popularidade de um jogo mortal denominado Baleia Azul. E para quem pensa que o jogo está longe de Primavera do Leste, se engana. Já há relatos de crianças e adolescentes da cidade que receberam convites para participar do jogo e de outras que aceitaram e chegaram a fazer uma das provas propostas no desafio.

Uma criança de 11 anos, que iremos tratar com o nome fictício de Maria, estuda na escola Novo Horizonte e disse que a onda de desafios já chegou à unidade escolar. “Essa brincadeira já está acontecendo na minha escola. Para participar é preciso desenhar no braço ou em alguma parte do corpo, utilizando um estilete, ou fazer um desenho e pintar de azul. Depois disso uma pessoa te faz vários desafios e o último é você se jogar de prédio. Se não aceitar o desafio, eles vão atrás de você e mata”, contou a garota, que ainda ressaltou que não aceitou o desafio, já que foi orientada pela mãe.

Maria disse que foi apresentada ao jogo por uma colega que estava interessada em participar. “Uma amiga me mostrou como funciona, e outros amigos estão entrando no Google para pesquisar como funciona”.

E é exatamente assim que o jogo começa, por meio de um convite para a página privada e secreta de um grupo no Facebook, e nela um instrutor passa alguns desafios aos seus novos jogadores. A partir de então, o que parece um jogo inocente, torna-se macabro e mortal.

A Baleia Azul teve origem na Rússia, conhecido como “#F57”, está sendo investigado devido a suspeita de ter induzido mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometerem suicídio desde 2015.

No total, são propostos 50 desafios, tais como: escrever com uma navalha o nome daquele grupo na palma da mão, cortar o próprio lábio, desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca, até chegar ao desafio final, que ordena tirar a própria vida.

Um dado preocupante é que, após a vítima iniciar os desafios, ela não poderá desistir. Dizem alguns participantes que, caso pretendam desistir, são ameaçados.

De acordo com a psicóloga de Primavera do Leste, Fabiana Barbosa, os motivos que levam crianças e adolescentes a aceitar o jogo são inúmeros, desde a mera curiosidade até por encontrarem na prática uma válvula de escape para fugir de problemas familiares. “Os motivos podem ser inúmeros. É complicado afirmar. Pode ser uma mera curiosidade, gosto por desafios. Mas a probabilidade maior é que aconteça mais com jovens que passem por situações de vulnerabilidade maior, como por exemplo, aqueles que têm pouco vínculo/contato com a família, pouco diálogo, problemas familiares mais graves, como presença de violência, por exemplo, vítimas de algum trauma mais severo, que estejam mais suscetíveis à depressão, entre outras razões. E está mais do que na hora de lembrarmos que depressão não é frescura, não é coisa de gente fraca”, alerta a profissional, que ainda ressalta que é preciso encarar o tema como uma realidade cada vez mais presente. “Talvez, por tratar-se de algo invisível, parece não existir, mas está mais do que na hora de deixamos de ficar no achismo e entender o que já está cientificamente provado: depressão existe sim. E se você não sabe sobre ela, procure aprender, se capacitar. Se você ou algum familiar tem um problema nos rins, você procura entender o que é e como tratar, devemos fazer o mesmo com depressão. Enquanto não olharmos verdadeiramente para o problema da depressão e do suicídio, vamos continuar perdendo crianças, adolescentes, adultos por falta de compreensão e achar que a culpa é do jogo. Procure orientação, procure profissionais habilitados”, diz Barbosa.

Maria, a criança de 10 anos que entrevistamos no início da reportagem, relatou que na escola dela ninguém chegou ao extremo de se cortar, porém, há relatos de alunos de escolas municipais de que uma menina teria cortado a sola dos pés, após decidir participar do desafio.  O fato não foi confirmado pela direção da escola e nem pela Secretária Municipal de Educação.

Por meio de nota encaminhada pela Assessoria de Imprensa, a Secretaria Municipal de Educação diz que o assunto vem sendo amplamente debatido: “A Secretaria de Educação vem abordando o assunto  em reuniões periódicas com os diretores de toda rede municipal de ensino, alertando em relação ao comportamento das crianças e adolescentes, indicando que qualquer suspeita ou mesmo evidência deve ser comunicada imediatamente”.

 

O desafio já fez vítimas em MT e coloca pais e autoridades em alerta

 

Mato Grosso já tem seis vítimas do desafio “Baleia Azul” ou “Blue Whale”, identificadas até ontem somente pelo 10° Comando Regional da Polícia Militar. A última vítima teria entrado em contato com a polícia para pedir ajuda para sair do jogo. Outra vítima foi identificada pela mãe, que inclusive constatou que a filha participava de um grupo e estaria sendo submetida aos desafios. O primeiro caso que chegou ao último teste do jogo, o suicídio, foi o da adolescente de 16 anos Maria de Fátima, moradora de Vila Rica.

 

Proteção

 

O jogo e a forma como o mesmo seduz os jovens chama atenção de médicos, psicólogos e de pais pelo mundo inteiro, mas como bloquear esta febre e conseguir protegê-los? 

De acordo com a psicóloga Fabiana Barbosa, os pais ou responsáveis devem observar e monitorar. “A monitoria deve acontecer, os pais devem participar da vida do filho, tanto presencial como online. Saber o que está acontecendo, limitar e/ou proibir o uso, saber quem a criança/adolescente adiciona em suas redes, o que ela posta, com quem mantém diálogos, entre outros. É importante saber que vai haver resistência por parte dos filhos sim, eles não querem ser monitorados, mas não falo da monitoria por monitoria, de dar ordens por dar ordens, mas sim de algo em que os façam participar da vida dos filhos, ser pais, entender que existe uma hierarquia a ser respeitada, e que os pais têm direito de dar regras dentro da casa. Algumas dicas são deixar o computador apenas na sala, limitar o uso por determinado período de tempo e controlar o acesso da internet nos quartos. Uma mãe, recentemente, me falou das dificuldades em limitar o acesso, e juntas chegamos à solução de retirar o modem ou até mesmo carregá-lo para o trabalho. Os pais podem e devem achar soluções que façam sentido para suas casas e realidades”, explicou.

A profissional ainda destaca que quando as crianças ou adolescentes estão sofrendo algum tipo de aliciamento, eles costumam demonstrar alguns sinais. “Como trata-se de algo novo, e o comportamento humano é vasto, não há uma regra específica, mas vale a pena se atentar para alguns sinais que indicam que algo não está bem com seu filho. Os principais sinais são: mudanças bruscas de comportamento, ou mais retraído, ou mais agressivo que o comum, por exemplo, elevação no tom de voz, mais reativo nas respostas, deixa de fazer ou interessar-se por atividades que costumava gostar,  por exemplo, não querer mais jogar futebol, nem ir à casa dos amigos ou ver filmes; isolamento social, ficar o tempo todo no quarto, na escola, deixar de participar de atividades que participava antes na escola ou em casa, ficar mais sozinho; queda no rendimento escolar; mudanças no estado geral (mais específicos do jogo/comportamentos de risco); problemas de saúde, uso de roupas de frio em dias de calor (para cobrir os cortes por exemplo), presença de cortes, mudança nos hábitos de sono, aumento de ansiedade, etc...”

 

MÃE DE PVA PEDE AJUDA ATRAVÉS DE GRUPOS

 

Por meio de uma rede interação mantida pelo Jornal O Diário,  com os leitores, pessoas opinaram sobre o desafio.

“Então... isso é verdade, e sabemos que a tendência é pior, a própria palavra de Deus diz isso! Deus é a única saída para os males que estão  a atormentar, e os que virão! É o fim dos tempos! Sem dúvidas”

“Temos que ficar de olho em nossos filhos nessas redes sociais! Fiscalizar né!”

“Mas será que eles ficam sabendo mesmo de todos os desafios? Eu fiquei com dúvida, ou após a realização  das tarefas que eles ficam sabendo? Tanto que a conversa acontece nas madrugadas”

“Depressão é muito grave. Doença do século e não mata só jovens. Aqui em Paranatinga foram 4 só este ano.                       
Baleia azul só mais um insentivo.”

“Senhores, esse jogo maligno é muito sério, os pais ficam de olho nos filhos principalmente à noite e quando estiverem muito triste com alguma coisa, tipo relacionamento, namoro ou até mesmo abatidos com nota nas escolas. Muitos ficam caçando uma saída e ai que o demônio aproveita, vai aí uma alerta.                       
“As crianças só querem saber de jogo.”

Em meio as conversas, uma mãe acabou desabafando: “Minha filha acabou de me falar que entrou nesse jogo da baleia azul, eu estou apavorada,                       
fiz ela bloquear o face”, disse a mulher. 

Em entrevista concedida ao Jornal O Diário, a  mãe que pediu para não ser identificada relatou que ouvia aúdios referentes ao desafio postado no grupo, quando percebeu que sua filha de 11 anos ficou bastante alterada. “Ela começou a falar que tudo que estavam dizendo no grupo era mentira, que ela estava no desafio e não ia se machucar, fiquei desesperada, por isso pedi ajuda”, contou.

A mulher ainda afirmou que procuraria a polícia para denunciar o caso, a filha dela estuda na Escola Estadual Maria Sebastiana, localizada no Primavera III. “Estou aqui agora, explicando para ela que isso é perigoso e que ela não deve participar deste jogo.”

 

Nenhum caso foi  comunicado à Polícia

 

Segundo informações, não há nenhum caso registrado sobre o jogo na Polícia Civil e nem na Polícia Militar de Primavera do Leste, porém a orientação dos órgãos de segurança é de que os pais ou responsáveis denunciem, caso descubram que os filhos estejam sendo aliciados para participar do jogo, ou de qualquer prática que os coloquem em risco.

A Polícia Militar, através do Programa Educacional de Resistência ás Drogas (Proerd) desenvolverá, em breve, turmas denominadas Proerd para Pais, que terá como objetivo orientar e discutir assuntos como esses com pais e responsáveis. “As turmas serão montadas no Tuiuiú, São José, na escola Mauro Wais e no Primavera III, e nestes grupos iremos tratar de assuntos como estes”, explicou o Cabo Gomes, professor do Proerd.

 

GRUPOS IDENTIFICADOS

 

Um dos grupos de WhatsApp identificado pela PM na região já contava com 345 participantes, distribuídos por várias cidades de Mato Grosso.  Com participação de jovens que trocam experiências sobre o desafio.   Ainda conforme a polícia, a pena para quem induzir, instigar ou auxiliar ao suicídios é de dois a seis anos de prisão, se o suicídio for consumado ou reclusão, de um a três anos, no caso da tentativa que resulta em lesão corporal de natureza grave. A pena é duplicado se existir um motivo egoístico ou se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

 

A VIDA É O BEM MAIS VALIOSO

 

A psicóloga ainda orienta que, em casos como o do jogo ou em outros que envolvam a vida, é sempre importante buscar ajuda.  “O importante é alertar e lembrar do valor da preciosidade e valorizar a vida acima de tudo. Se não encontrou, ainda, na sua vida recursos que, para se defender ou para compreender que a vida vale a pena, peça ajuda, procure por socorro, há diversos canais de acesso à ajuda CVV, atendimentos públicos em prefeituras, atendimentos particulares com médicos e psicólogos, igrejas, hospitais, peça por socorro. Se você é jovem e começou a jogar, pare, nada te impede de parar, denuncie caso esteja sob ameaça, peça socorro.  A vida é preciosa demais”.

 

CVV

 

O atendimento é 24h pelo telefone 141 (Cuiabá e Várzea Grande) e (65) 3321-4111 (interior de Mato Grosso). Todos os atendentes são voluntários que atuam em diversas áreas, mas que têm em comum a vontade de ajudar e ouvir.

O CVV recebe, em média, 14 ligações por dia, seja de manhã, à tarde, à noite ou de madrugada. O perfil de quem liga no CVV não é padrão. São pessoas de todas as idades, classes sociais e filosofias de vida. O que todas elas têm em comum é a necessidade de falar. Contar suas angústias, tentar aliviar a solidão, o sentimento de vazio e a depressão.

 

 

2 Comentário(s)
Poderiam se juntar poder público (secretaria de educação e saúde) e polícia para uma palestra e orientações para a população ... E pais procurem estar mais perto de seus filhos este "jogo" vem nos mostrar importância de estarmos atentos aos nossos filhos de dar a atenção merecida pois são nossos presentes de Deus.. e como estamos cuidadando,o que estamos ensinando...??
enviado por: Marlene em 20/04/2017 às 08:06:08
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Poderiam se juntar poder público (secretaria de educação e saúde) e polícia para uma palestra e orientações para a população ... E pais procurem estar mais perto de seus filhos este "jogo" vem nos mostrar importância de estarmos atentos aos nossos filhos de dar a atenção merecida pois são nossos presentes de Deus.. e como estamos cuidadando,o que estamos ensinando...??
enviado por: Marlene em 20/04/2017 às 08:06:24
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Voce gostaria que a MT-130 até Paranatinga fosse privatizada?
Sim
Não
Tanto faz