ENTREVISTA EXCLUSIVA /

Sexta-feira, 14 de Julho de 2017, 07h:00

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Empresa de transporte coletivo primaverense responde questionamento de passageiros

Fomos até a empresa City Bus e realizamos entrevista com a gerente Juliane Garcês


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Ítalo Berto

Após a divulgação da  reportagem sobre os transportes clandestinos, no jornal O Diário, internautas e leitores apresentaram para nossa equipe de reportagem alguns questionamentos e denúncias relacionadas ao transporte público de Primavera do Leste. Por isso, fomos até a empresa City Bus e realizamos entrevista com a gerente Juliane Garcês, que será exibida nessa edição em sistema de perguntas e respostas:O Diário: Quantos ônibus existem na frota para o transporte urbano de Primavera do Leste?

City Bus: Quando nós chegamos, em 2015, tinha sete ônibus na cidade. Com a mudança da diretoria, hoje, nós temos 23 ônibus rodando na cidade no horário de pico.

O Diário: “Se precisamos de ônibus para ir embora da faculdade às 22h, não tem!”, destacou um leitor em nossa página do Facebook. Qual a prioridade de atendimento da empresa?

City Bus: Em relação a atender alguns pontos da cidade, é importante destacar que em Primavera não funciona a lei do pagamento de transporte para o trabalhador. Toda empresa é obrigada a dar o vale transporte. Existem grandes empresas aqui, que ficam mais distantes, que fornecem para os funcionários e menores aprendizes.

Quando a empresa não paga, o trabalhador pensa que o valor do ônibus, se for sair do bolso deles, compensa comprar uma moto e ir trabalhar. A maioria tem veículo próprio.

Antes de colocar as linhas, a gente faz um experimento, passa com carro de som avisando que vai colocar um ônibus naquele bairro. Já teve vez de a gente colocar um ônibus no bairro e só transportou um idoso em um horário. Também teve dias que não transportou ninguém. Para colocarmos novos ônibus em outros bairros, tenho que ter o retorno da população, pois o ônibus tem o combustível, o motorista, a manutenção. Para a gente é interessante colocar ônibus em todos os bairros. Quanto mais gente tiver para andar de ônibus, mais linhas vamos colocar.

No caso da faculdade, a gente já tentou colocar ônibus pra transportar os alunos após as aulas, mas não tinha gente.

Em outra situação, quando a prefeitura precisou parar de disponibilizar ônibus para alguns estudantes por intervenção do Ministério Público, os alunos do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) foram os mais prejudicados. A gente sentou com o pessoal da instituição, conseguimos a relação de alunos e a localidade de onde eles moram, para fazermos um encaixe.

Sem os ônibus públicos para alguns estudantes, a nossa quantidade de linha aumentou muito em Primavera. Em 2015 eram só 45 estudantes que usavam o transporte público na cidade, hoje já estamos atendendo quase 500 estudantes.

A intenção é aumentar mais, como por exemplo, no Distrito Industrial. Porém estamos aguardando ser asfaltado, porque não dá para colocar qualquer ônibus para andar na terra. Depois do asfaltamento vamos fazer um teste e se tiver passageiros vamos manter o ônibus lá.

O Diário: Outra internauta disse que o transporte público de Primavera do Leste é inadequado e indecente. O que você pode dizer sobre isso?

City Bus: Quando a gente vai colocar um ônibus na rua, verificamos pneu, motor, a parte mecânica, o estofamento do veículo, se tem pichação ou se não tem. Todos os veículos, semanalmente, passam por uma faxina geral, mas todos são limpos todos os dias. Mas, temos alunos e passageiros que depredam os ônibus. Já tivemos alunos que tacaram pedra no vidro, quebrou e a empresa que teve que arcar. Já tivemos aluno que rasgou bancos, flagrados pelos nossos fiscais. A empresa tem o cuidado para colocar os veículos na rua. Acontece de quebrar ônibus, como todos os veículos estão sujeitos a quebrar, mas temos precauções. Se quebrar a gente manda a equipe mecânica tirar o veículo do local e substitui, mas não basta a gente fazer o nosso papel, porque na rota a população não tem cuidado.

O Diário: Há reclamações sobre superlotações no Buritis, no período da manhã. “As crianças vão em pé e espremidas e às vezes nem conseguem entrar pela porta da frente”, destacou uma internauta. A empresa tem conhecimento desse fato e faz algo para melhorar?

City Bus: Estamos falando de transporte público. Se formos ver outras cidades, principalmente as grandes, tem o pessoal que anda em pé, não tem jeito. Não conseguimos disponibilizar ônibus para todos andarem sentados.

Nós temos conhecimento sobre o que acontece no Bairro Buritis. Verificamos que acontece o seguinte, as pessoas entram dentro do ônibus e ficam na parte da frente, com o veículo inteiro para trás. É preciso o motorista ficar pedindo para as pessoas passarem a catraca, por isso essa dificuldade de conseguir entrar pela frente. Não é o ônibus que está superlotado. Sabemos que tem lotação, mas não é superlotação. Nesta localidade ainda não há necessidade de colocar novas linhas, o único problema é a aglomeração na frente dos ônibus.

O Diário: Como funcionam as fiscalizações dos ônibus, para verificar se os motoristas estão parando nos pontos, se passam nos horários certos?

City Bus: A Coordenação Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (CMTU), faz a fiscalização. Temos uma parceria muito grande com eles. Quando fazemos algo errado eles sempre notificam a gente. Quando têm carros estacionados em vagas de ônibus – o que acontece de mais – a gente também passa para eles. A gente sempre se comunica. Quando têm ônibus atrasado eles nos avisam e a gente vai saber o que está acontecendo.

O Diário: Outra informação que chegou ao jornal O Diário diz que os documentos dos ônibus não estão pagos em dia, e existem veículos que com a cor que não condiz com a especificada na documentação. Isso procede?

City Bus: Todos os veículos tem licenciamento para ser pago. Passamos uma fase no Brasil que todos estão passando por aperto. Nem sempre conseguimos regularizar as documentações de todos os veículos no prazo, mas a gente, todos os meses, colocamos a quantidade de documentos que conseguimos em dia.

Todas as vezes que um ônibus vai trocar a documentação, ele passa por vistoria. Já existiu sim um caso de um ônibus que era branco e no documento estava verde. Tivemos que regularizar para colocar para rodar. Não podemos colocar um ônibus de qualquer jeito para circular. Tudo está se regularizando, porque somos muito cobrados pelos órgãos competentes. Na vistoria, se um vidro estiver trincado, não passa. E temos que passar por vistorias anualmente. Na lateral dos ônibus temos adesivos que comprovam as vistorias e a validade. A Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager), também fiscaliza. Também temos os nossos ônibus parados para verificação de documentação, se o motorista está portanto o certificado de curso de transporte de passageiros.

O Diário: Quais são as contribuições da empresa para o município?

City Bus: As empresas de ônibus que  vendem vale transporte para estudantes, em cidades como Cuiabá,  têm isenção do imposto no diesel e outros impostos. Isso porque ela já transporta o idoso de graça e o estudante pela metade do preço de uma passagem. Não tem ninguém que paga esses valores para a empresa. Em outras cidades o valor do ISSQN, por exemplo, é reduzido, a prefeitura não cobra. Mas em Primavera não temos nenhum tipo de isenção, pagamos ISSQN. Para isso mudar é preciso de uma nova legislação municipal.

O Diário: Os ônibus adquiridos, quais a situação deles quando chegam para fazer o transporte público de Primavera do Leste? Seriam descarte de empresas de cidades grandes que não podem mais utilizar os veículos por tempos estabelecidos nas leis municipais dessas cidades?

City Bus: Não! A gente compra veículos seminovos. Não temos regulamentação exigindo que os veículos sejam novos. Até porque a cidade não dá o retorno do serviço a altura para que nós tenhamos condições de colocar ônibus zero. Temos ônibus de 2005 a 2012.

O Diário: Qual o limite de tempo que os ônibus podem circular em Primavera?

City Bus: Não tem lei para isso, porém o contrato de concessão prevê até 10 anos para a circulação dos veículos na cidade. Temos frotas de 2005, 2009 e 2011, porém os ônibus de 2005 são colocados na rua para substituir outro que esteja em manutenção, serve como um apoio operacional.

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