JÁZIDAS DE OURO /

Quinta-feira, 20 de Julho de 2017, 10h:45

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Como está o caso do golpe bilionário?

Contratos com promessas milionárias começaram a ser oferecidos em Primavera do Leste em 2015, e mesmo sob investigação policial, já atingiu pessoas de diversos estados do país


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Ítalo Berto

O  possível golpe bilionário que veio à tona na cidade de Primavera do Leste, em abril de 2016, envolvendo o religioso e capelão Gleison França do Rosário, ainda é um mistério. Mesmo assim, a Polícia Civil, por meio do delegado titular da Delegacia Regional, Rafael Fossari, com a contribuição de demais forças policiais não divulgadas, continuam as investigações, que segundo Fossari, estão se encaminhando para a conclusão e resposta à sociedade o mais breve possível. Enquanto o trabalho da polícia não é finalizado, os contratos continuam sendo vendidos em Mato Grosso e em diversos Estados do país.

Na época, o esquema envolvia cerca de 500 pessoas que assinaram contratos a preços de R$ 1 mil a R$ 3 mil, e sem precisarem fazer mais nada, futuramente teriam as recompensas financeiras. As promessas variavam de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões, dependendo da quantia em dinheiro investido pelo assinante do contrato. O dinheiro partiria de uma participação nos lucros de uma extração em uma jazida de ouro, localizada no Estado de Mato Grosso do Sul.

Durante um ano e três meses após o início das investigações, diversos comentários sobre o assunto foram escritos no site Clique F5. Os internautas, durante o período, buscavam saber como andam as investigações e se esses contratos são ou não fraudulentos. No mês anterior, a redação do O Diário recebeu ligação de um morador de Pontes e Lacerda, que após pesquisar o nome do capelão, verificou na reportagem publicada no dia da busca e apreensão feita na residência de Gleison. O homem comentou que diversos contratos como esses ainda estão sendo assinados por moradores daquela cidade.

Conforme o delegado Rafael, a Polícia Civil de Primavera também recebe constantemente informações de que os contratos são oferecidos em diversos estados da nação, como Rio de Janeiro, Goiânia, Rondônia, Mato Grosso do Sul e muitos outros.

Fossari destaca que ainda não é possível afirmar que os contratos milionários tratam-se de golpes, pelo menos não antes que todas as provas sejam reunidas. “É uma investigação complexa. São muitos documentos para avaliar até chegarmos a conclusão sobre a autenticidade deles”, explica o delegado.

No site do Clique F5 uma leitora de Goiânia chegou a comentar: “Pessoal alguém pode nos informar se essa operação é real ou se trata de um golpe? Por que então os acusados continuam soltos? Muito estranho isso!”

Enquanto as propostas são oferecidas em diversos Estados, Rafael diz que ainda não é possível impedir as vendas antes de comprovar 100% que o esquema é um golpe. “Cabe às pessoas pararem de comprar até que se tenha uma resposta por parte da polícia de que realmente se trata de um negócio lícito, ou essas possíveis vítimas correm o risco de estar perdendo o dinheiro. Ainda não é momento de investir nisso até termos uma definição”, alerta Fossari.

Veja o que alguns internautas comentam sobre o caso no CliqueF5

- “Gostaria de saber se já foi resolvido este assunto, se é verdade ou mentira, como está o andamento, pois  disseram que será do dia 3 ao dia 7 de julho”, disse um leitor que aguarda a promessa firmada nos contratos.

- “Afinal, é golpe ou não? Por que ninguém faz nada, se sabem que é golpe? Quantas pessoas estão sendo lesadas? Quando entrei, vi o vídeo da polícia dizendo não ter provas. Hoje estamos cada dia mais agoniados sem saber quem são essas pessoas.”

- “Gostaria de saber porque vocês, policiais civis e federais, não acabam com isso. Essa quadrilha continua vendendo contratos e só enriquecendo às custas dos pobres seres humanos. Prendam os bens deles em Campo Grande, para que paguem a todos que devem. Em Goiânia são Mais de 100 pessoas esperando pagamentos, isso só no bate papo de whatsapp. Hoje o pagamento foi adiado para dia 03/07. Outra vez as pessoas na expectativa, sonhando, e eles andando com segurança em Campo Grande – MS”, comentou outro internauta, no mês passado.

- As preocupações de quem assinou contrato com a equipe de Gleison França continuam, outro leitor disse: “a que pé está essa investigação? Eles continuam vendendo contrato. Mudaram a data novamente dos pagamentos. É verdade ou mentira?”

“Também quero saber se é golpe. A pessoa que me colocou pediu R$ 5 mil pra tirar R$ 1 milhão, depois disse que tinha abaixo o valor para o governo não receber, passou R$ 2 mil para receber R$ 1 milhão.”

- “Eles estão prometendo fazer o pagamento em 20/06. Alguém conhece esse povo todo? Se é um golpe mesmo, as autoridades já deveriam saber. Para autoridades é fácil chegar a uma conclusão. É só pedir informações ao Banco Bradesco. Eles disseram que não pagaram ainda devido a problemas com o banco”, destacou um dos comentários.

- “Não coloque o nome de Deus nesses tipos de coisas. Ele (Gleison) sempre foi um homem humilde de muita fé, mas não era ligado ao dinheiro. Precisamos rever nossa fé.”

No meio de muita gente desconfiada com o possível golpe há também aqueles que seguem acreditando na palavra do capelão e equipe:

- “Pior que agora parece que tem gente recebendo esse dinheiro todo... E agora?? Kkkkkkkkkk”

- “Alguém tem alguma notícia verdadeira? Colocaram áudio de uma mulher que disse ter ido ao Banco com o esposo e viu o montante em sua conta... Será ela uma contratada, pra ganhar tempo? E se é golpe, porque não fugiram?”, observou outro internauta.

- “Sou professora e advogada, estou atualmente fazendo teologia, pois sou Missionária. Conheço o amigo Gleison, esse que aqui é supostamente acusado de estelionato. Quero apenas dizer a quem confiou nele, continua crendo. A benção que Deus tem pra nós, ninguém vai tirar. Está chegando a hora de tudo vir à tona. Se preparem para a honra que Deus vai nos dar através deste homem. Ah, antes que eu esqueça, ele ainda não é Pastor, mas será para a morte do inimigo. Saudações.”, defendeu outra internauta.

RELEMBRE O CASO

A Polícia Civil de Primavera do Leste começou investigar o suposto pastor da Igreja Batista Independente e capelão Gleison França em abril de 2016. Nessa época a polícia cumpriu um processo de busca e apreensão, onde as contas bancárias do investigado foram bloqueadas. Em uma delas, na Caixa Econômica Federal, o suspeito tinha aplicado mais de R$ 200 mil.

A explicação dada às pessoas induzidas a assinarem os contratos é de que um juiz arbitral, de Mato Grosso do Sul, Sidnei dos Anjos Peró, conseguiu repatriar uma jazida de ouro em Mato Grosso do Sul.

Na primeira conversa que o suspeito teve com o delegado, ele disse que, para que o dinheiro não seja capitado pelo governo, o juiz repassará a outras pessoas, com a condição de pagar antecipadamente até R$ 3 mil para custear a ação.

Ainda para a polícia, Gleison Rosário alegou que a ação é verdadeira e que se for um golpe, ele também é vítima. “O suspeito nos relatou que seria recompensado com um valor de até R$ 5 bilhões”, disse o delegado Rafael Fossari, na época da detenção do capelão.

Durante a apreensão, foi encontrado na casa do religioso uma quantia em dinheiro relevante, que o suspeito dizia ser dinheiro do dízimo arrecadado na igreja onde pregava. Uma caminhonete Hilux SW4, com adesivo da Sociedade Eclesiástica, também foi apreendida.

As investigações chegaram ainda a uma caminhonete de R$ 73 mil, comprada por Rosário, em Rondonópolis. Conforme o delegado, o suspeito não tinha condições financeiras comprovadas para adquirir bens de valores tão altos.

Sobre os R$ 200 mil na conta de Gleison França, ele explicou para polícia que se tratava de uma comissão antecipada que ganhou pela venda dos contratos.

Por meio do aplicativo WhatsApp, Rosário reunia pessoas que assinaram o contrato em um grupo chamado “Milionários”, onde alimentava a esperança das pessoas que investiram o dinheiro exigido pelo contrato, dizendo que a quantia oferecida já está quase saindo, como se faltassem poucos dias para serem ressarcidos.

O delegado relatou à imprensa que desde dezembro de 2015 as supostas vítimas recebiam as promessas de ganhar a quantia milionária, porém Glaison ainda não tinha pagado as pessoas até a data da detenção.

Para Fossari, todos indícios apontam para um golpe de estelionato. “Analisando os contratos, a conta e tudo que temos em mãos, percebemos que se esses contratos fossem verídicos, a imprensa estaria sabendo, teria advogados envolvidos, assim como consórcios de empresas num negócio tão grandioso. É duvidoso uma pessoa repassar R$ 1 milhão em troca de R$ 1 mil ou R$ 3 mil, a quem ele não conhece”, avaliou o delegado na época.

 

 

1 Comentário(s)
Aqui em Brasília várias pessoas caíram nesse golpe, porém continuam acreditando que não é golpe e vão ficar milionárias.
enviado por: Maria do Socorro em 20/08/2017 às 22:38:42
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os maiores eventos e coberturas
O que você acha que deve ser feito com os carrinhos de lanche em PVA?
Devem ser retirados das avenidas!
Devem permanecer onde estão!
Devem ficar todos na Praça de Eventos!
Devem ser realocados para as praças da cidade!