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Domingo, 23 de Abril de 2017, 20h:17

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BR 070: Despejo está previsto, moradores devem sair

Após o período das chuvas o DNIT pode destruir os barracos às margens da BR 070. Fontes afirmam que,á quem esteja comercializando barracos


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Ítalo Berto

Denúncias de que áreas às margens da BR-070 estão sendo vendidas chegou até o jornal O Diário. O assunto também foi destacado pelo vereador Josafá Martins Barbosa, na última sessão da Câmara municipal, segunda-feira (17). Além disso, em entrevista com moradores que ainda habitam na região, foi confirmado que há comercialização de imóveis e terrenos. O problema é que existe uma liminar de reintegração de posse. A área é de domínio federal e quem mora por lá é considerado invasor. Segundo a Secretaria de Assistência Social, a demolição pode acontecer a qualquer momento.

Uma liminar ajuizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em 10 de junho de 2015, ordenava que os invasores se retirassem do local para que as obras da BR-070 pudessem ser realizadas. Até hoje nenhuma força maior fez com que as famílias saíssem do local.

Ao longo dos anos a aglomeração de barracos construídos às margens da rodovia aumentou. Conforme a Secretaria de Assistência Social de Primavera do Leste, um levantamento realizado pela prefeitura em fevereiro desse ano aponta que 92 famílias vivem na área federal.

O jardineiro Ezequiel da Silva, 30, mora às margens da rodovia desde 1993. Ele disse que nunca assinou nenhuma liminar e que nenhum documento do mesmo caráter no nome dele chegou em mãos. “Enquanto isso vou vivendo por aqui. Desde quando tenho seis anos moro aqui e desde quando eu tinha nove anos ouço dizer que seremos despejados, mas até hoje nada aconteceu”, relatou o jardineiro.

Mesmo com a intenção de permanecer na área, Ezequiel e família afirmam que vivem com receio de ter que, a qualquer momento, sair da residência sem ter para onde ir. “Eu não posso nem tentar fazer melhorias na casa, porque não sei se vai chegar um dia de ter que desmanchar tudo que eu construí”, comentou Silva.

Ele também disse que tem muita gente vendendo as casas porque também sentem medo do despejo, embora parte dos que habitam na área não permitida passam não acreditar mais que serão retirados do local.

“A prefeitura tem todo levantamento das pessoas que moram aqui. Desde a construção das casas populares do Padre Onesto Costa foi dito para a gente que ganharíamos uma casa popular, que está em nossas condições de pagar, mas nem mesmo no Guterres não fomos sorteados. Acho que a prefeitura não dá um jeito porque não quer. Se na época eles tivessem separado 50 casas para as famílias que moravam aqui, o problema teria sido solucionado. E com as promessas de casas populares, muita gente se instalou aqui para poder ganhar uma moradia, por isso hoje temos mais de 90 famílias aqui”, declarou Ezequiel.

Moradores devem procurar a prefeitura para  auxílio aluguel

Por mais que as famílias estejam com dúvidas se realmente o DNIT irá realizar as demolições, conforme o Setor de Habitação da Secretaria de Assistência Social, a qualquer momento os barracos poder ser destruídos.

Ainda segundo a habitação, o DNIT encaminhou documento no início da atual gestão, informando que o prazo máximo para que os invasores se retirassem do local seria até o fim de março, porém, até agora nada, mas a Secretaria acredita que, com o término do período de chuvas e a retomada das obras da BR-070, isso irá acontecer.

O Setor de Habitação diz que continua valendo o decreto do auxílio aluguel, publicado na gestão anterior, e que os moradores que quiserem sair das margens da BR deve procurar a secretaria. Eles serão beneficiados com R$ 400 no período de cinco meses. Este foi o acordo feito em uma reunião no início de fevereiro, que contou com a presença da comissão formada pelos moradores, Assistência Social e alguns vereadores. Ou seja, todos os habitantes da região estão cientes do risco.

Até o momento, duas famílias já se retiraram da área federal e contam com o auxílio aluguel, conforme a Secretaria. Os demais ainda não manifestaram o desejo de se mudar do local. É importante ressaltar que cerca de 10 famílias, que estavam abrigadas no Ginásio Pianão, após uma forte chuva inundar alguns barracos, em outubro de 2016, também foram beneficiadas com o auxílio.

 

Para O Diário a empreiteira responsável pelas obras da BR-070, a Prencon, informou que o motivo da paralisação dos trabalhos é que o DNIT aproveitou o período das chuvas para realizar revisão no projeto executivo, que ainda está sendo apreciado pelo Departamento.

A empresa não soube especificar datas para a retomada dos trabalhos, mas garantiu que assim que a revisão for finalizada, as obras serão reiniciadas.

O Diário entrou em contato com o DNIT para questionar os prazos da retomada das obras e a possível demolição dos barracos ainda neste primeiro semestre, mas até o final dessa edição as perguntas não foram respondidas pela assessoria de comunicação.

 

 

 

 

2 Comentário(s)
Eu moro la a deis anos e disseram que ia da as casas pra gente sair de la
enviado por: Monica vaz dos santos em 21/04/2017 às 14:10:23
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se for assim, tbm quero invadir uma área alheia e ganhar uma casa.Trabalho como todo mundo trabalha.CEF disponibiliza financiamentos para compra de casa própria. estranho é eu de vez em quando passar por lá de MOTO e ver que tem casa com carro até caminhonete na garragem, TV POR ASSINATURA no teto da casa. e eu até sem tv em casa, mas pagando minhas prestação da minha casa em dia.MUITO ESTRANHO , LUXO MAS NÃO TEM CASA PRÓPRIA E NEM QUER BUSCAR COMPROMISSO DE FINANCIAR. Nada deveria ser dado de graça
enviado por: CARLOS em 22/04/2017 às 09:53:16
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os maiores eventos e coberturas
O que você acha que deve ser feito com os carrinhos de lanche em PVA?
Devem ser retirados das avenidas!
Devem permanecer onde estão!
Devem ficar todos na Praça de Eventos!
Devem ser realocados para as praças da cidade!