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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017, 07h:00

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Energia elétrica furtada em primavera daria para abastecer a cidade de Guiratinga por um mês, afirma Energisa

O prejuízo dos conhecidos “gatos” pode ser geral, tanto para os consumidores, quando para a distribuidora e ao governo do Estado.


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Ítalo Berto

Primavera do Leste e algumas cidades da região são responsáveis pela a perda de 1,1 gigawatt/h de energia elétrica. Essa quantia é referente ao abastecimento da cidade de Guiratinga, pelo período de um mês. Isso se dá pelo desvio de energia, prática criminosa prevista no Código Penal, que pode levar o indivíduo culpado a responder pelo crime de furto e cumprir pena de até oito anos de detenção.

De janeiro a agosto desse ano, conforme a Energisa, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em Primavera do Leste, foram feitas 8.057 fiscalizações no município. Desse total 1.343 constavam irregularidades, ou seja, 17% dos imóveis vistoriados.

Conforme o gerente de perdas da concessionária, Felipe Costa da Silva, em Primavera os casos de furtos de energia elétrica são encontrados em residências, estabelecimentos comerciais e até mesmo em indústrias. “São encontrados, geralmente, energia ligada direta na rede ou algum desvio no condutor, que é o ramal de ligação antes de passar no medidor. Nesses casos o cliente desvia o ramal e a energia é consumida sem passar no medidor”, explica o gerente.

Os riscos para quem pratica o desvio de energia são imensuráveis, não só para o criminoso, mas também para as pessoas que estão ao redor dos imóveis. “Geralmente essas pessoas fazem de qualquer maneira e não têm conhecimento de procedimento de segurança para acessar o sistema. São realizadas em condições precárias e sobrecarrega o sistema”, expõe Silva.

As sobrecargas nos condutores, ainda segundo Felipe, também prejudica a qualidade de energia fornecida à população, além do risco de causar queima de equipamentos. “A rede é dimensionada com base nos clientes que a distribuidora tem conhecimento, então, uma vez que entra carga à revelia, isso cria uma carga no sistema e prejudica a qualidade de fornecimento, como as quedas de tensão”, alerta o gerente.

O prejuízo dos conhecidos “gatos” pode ser geral, tanto para os consumidores, quando para a distribuidora e ao governo do Estado. Conforme dados repassados pela concessionária Energisa, a empresa perde um faturamento de R$ 230 milhões por ano com as perdas calculadas em todo o Estado de Mato Grosso. Já para o governo, o prejuízo chega a R$ 40 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) não arrecadados, “tributos esses que poderiam retornar como forma de benefício à população”, opina Felipe.

DENUNCIE

Quem encontrar esse tipo de irregularidade pode fazer denúncias, por meio do 0800 646 4196, também destacado na conta de energia. Outra opção é acessar o site “energisa.com.br”, ou usar o aplicativo Energisa On, canal de denúncia onde a identidade do denunciante é resguardada. O aplicativo também serve para que o cliente possa acompanhar o consumo, comunicar falta de energia, acompanhar se tem desligamento programado para manutenção na rede, e mais uma série de funcionalidades.

Energisa aumenta equipe de fiscalização em Primavera

Em 2017 a Energisa afirma ter incrementado mais 83 equipes para fiscalizar o furto de energia elétrica em Mato Grosso. Somente para Primavera do Leste são cinco novas equipes, que também contam com o suporte das 21 equipes que atuam na cidade de Rondonópolis.

Os monitoramentos são feitos a partir de uma central de inteligência, que trabalha por meio de ferramentas computacionais. Nesta central são realizados cruzamentos de dados, baseados em medições na rede dos clientes. Ou seja, a empresa consegue mapear onde estão as perdas no Estado.

Com essas informações as equipes são direcionadas para cumprirem as fiscalizações nas localidades apontadas pelo sistema. Às vezes o grupo conta, até mesmo, com a colaboração da Polícia Civil.

O suporte da polícia junto ao laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) pode levar o responsável pelo desvio preso em flagrante. “A gente lavra o termo de ocorrência e regulariza a situação da medição. Depois é feito um cálculo da energia que foi consumida sem ser calculada, respaldada pela resolução 414 da Anel, e o cliente recebe a fatura para que possa regularizar a situação junto a distribuidora”, detalha Felipe.

 

REALIDADE ESTADUAL

A prática criminosa totaliza, em Mato Grosso, a perda de 450 gigawatt/h ao ano, o suficiente para abastecer, pelo mesmo período, o município de Rondonópolis, que abriga mais de 200 mil moradores.

O número também corresponde a 4% de toda energia elétrica injetada no Estado. Os dados impactam no bolso do consumidor, porque a empresa inclui na conta a apuração de perdas técnicas e não técnicas que podem acontecer durante a distribuição.

No caso dos trailers e das feiras é possível medir o consumo por meio da instalação de padrões, no entanto, nem todos os proprietários procuram a Energisa para regularizara a situação. “Todo cliente que nos procura é atendido, desde que esteja com as condições técnicas necessárias”, argumenta o gerente.

 

 

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