NOVO GOLPE /

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018, 16h:54

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Estelionatários aplicam golpe em primaverenses e hackeiam whatsapp

Está nova modalidade de crime já foi aplicada em Primavera do Leste e há pessoas que perderam até R$ 3 mil.


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Da Redação

O  avanço da tecnologia traz diversos benefícios e agilidade nas funções do dia-a-dia, no entanto, quando utilizada de má fé pode causar transtornos, principalmente quando se trata de golpes virtuais. Os estelionatários deixaram de utilizar o falso sequestro e passaram a hackear WhatsApp para ter acesso aos contatos e informações das vítimas. Está nova modalidade de crime já foi aplicada em Primavera do Leste e há pessoas que perderam até  R$ 3 mil.

O WhatsApp é um aplicativo que foi criado com o intuito de ser um local para troca de mensagens de texto, assim como os SMS, mas ganhou uma proporção muito maior e hoje é possível enviar e receber diversos tipos de ficheiros, como fotografias, vídeos, documentos, localizações e também realizar chamadas por vídeo e voz.

No início deste ano, o WhatsApp atingiu a marca de 1,5  bilhão de usuários mensais em todo o mundo. No total, são enviadas mais de 60 bilhões de mensagens por dia.

As mensagens e chamadas do WhatsApp são completamente criptografadas, o que significa que não podem ser consultadas pela empresa, nem por terceiros, somente pelo aplicativo.

criminosos entram em contato com as vítimas e se identificam  como funcionário de operadora 

Através de um número desconhecido, parecido com os que são utilizados pelas operadoras de telefonia móvel, de apenas quatro ou cinco dígitos, o estelionatário liga para a vítima e se identifica como um funcionário da operadora. O criminoso então informa que trabalha no setor de segurança e que irá encaminhar um código para o número da pessoa, mas ela terá que informar esta numeração para que seja verificada a validade.

Enquanto a pessoa está no telefone com o criminoso, a mensagem com o código é recebida e por vir de outro número desconhecido, a pessoa fornece o número ao estelionatário. A partir disto, já é possível ter acesso ao WhatsApp da vítima.

Uma moradora de Primavera do Leste, que pediu para não ser identificada, foi vítima do golpe, mas não conseguiram ter acesso a nenhuma informação, devido ao sistema de segurança do aplicativo, que é a verificação em duas etapas.

A vítima conta que o estelionatário ligou de um número de cinco dígitos (27725), se apresentou como Nicolas Forte e pediu para anotar um número de protocolo. “Ele disse que trabalhava na parte de segurança da Vivo e que estaria fazendo verificação com todos os DDDs 66”, relata.

Os criminosos entraram em contato com a vítima na sexta-feira (24), por volta de 10h15. A pessoa se identificou com nome completo, cargo e empresa de telefonia. A utilização do português correto ao se expressar fez com que a vítima não levantasse desconfiança de ser um golpe.

“Questionei o que seria essa verificação, me explicou e falava tudo corretamente. Ele disse que me encaminharia um código de verificação de seis números. Enquanto estava na ligação, recebi a numeração e passei para ele, conforme solicitado. Porém, depois disto ele começou a utilizar expressões erradas, o que me levantou desconfiança. Fiz alguns questionamentos, mas desligaram em seguida”, afirma a vítima.

A princípio, a vítima pensou que os criminosos tentariam clonar o número dela e só percebeu que o golpe era hackear WhatsApp duas horas depois, quando ela foi tentar mexer no aplicativo e apareceu a mensagem “que o acesso foi permitido em outro aparelho. Para voltar a utilizar foi solicitado meu número e para que colocasse um código de seis dígitos. Neste momento entendi qual era o objetivo deles”, desabafa.

Após realizar todos os procedimentos e voltar a ter acesso ao aplicativo, a vítima entrou em contato com a operadora e foi informada que o número não havia sido clonado. Através do sistema, a empresa de telefonia conseguiu verificar que os estelionatários não conseguiram acessar os dados da mesma, devido ao tipo de segurança fornecida pelo próprio WhatsApp.

Para ter a certeza de que nenhum dado foi roubado, a vítima tentou fazer o mesmo procedimento que os estelionatários, no entanto, no momento em que conseguiu acesso, o aplicativo pediu uma senha de segurança que foi criada por ela mesma. Ou seja, devido a isto, os criminosos não conseguiram acessar nenhuma informação.

A jovem não chegou a registrar ocorrência, pois diz que não havia o que alegar, já que não conseguiram roubar nenhum dado ou conseguir dinheiro de amigos ou familiares. “Devido a verificação de duas etapas para mim foi mais tranquilo, no entanto, há outras pessoas que não tinham e eles conseguiram todos os dados”, finaliza.

Outra moradora de Primavera do Leste, que também foi vítima do golpe, não teve a mesma sorte da anterior, pois esta não tinha a verificação em duas etapas.

A maneira em que ela foi abordada foi idêntica ao da primeira vítima, em que o criminoso se identificou como da operadora de telefonia e que iria fazer uma verificação de segurança. “Passei o código solicitado, mas em seguida eles perguntaram como que escrevia meu nome. Neste instante percebi que se tratava de um golpe, então falei que acionaria a Polícia e desliguei”, conta a mulher.

Os criminosos chegaram a dizer para a vítima ficar meia hora sem utilizar o aparelho para que fosse terminado a confirmação de segurança, mas apesar de ter percebido que se tratava de um golpe, já era tarde.

Os estelionatários tiveram acesso ao aplicativo da vítima e para que ela não conseguisse recuperar o WhatsApp, ligavam a todo instante para que linha ficasse ocupada, no intuito de atrasar a reinstalação ou de entrar em contato com a Polícia.

Após o golpe, a vítima entrou em contato com o marido para que avisasse amigos e familiares para que não respondessem mensagens que viessem em nome dela, mas os criminosos já estavam utilizando o aplicativo.

Assim que o marido da vítima avisou no grupo da família sobre o golpe, os bandidos entraram em contato com ele, através do número da esposa, e o ameaçaram de morte.

O que chamou a atenção da vítima é que o número que entrou em contato com o marido dela possui DDD 65 e a ligação foi DDD 11.

O crime ocorreu por volta de 8h15 e antes das 9h, a vítima já havia solicitado para uma amiga que trabalha no banco bloquear todas as contas dela e em seguida procurou a operada para cancelar a linha.

No entanto, a amiga da vítima não conseguiu bloquear as contas dela e acabou mandando uma mensagem para ela no WhatsApp informando. Como o aplicativo já estava no poder dos bandidos, se passaram por ela e pediram R$ 3 mil emprestado, até que ela conseguisse ter acesso as contas que estavam todas cadastradas no aparelho celular.

A amiga da vítima não se atentou que poderiam ser os golpistas e fez o deposito dos R$ 3 mil na conta informada. Neste meio tempo, os bandidos já haviam entrado em contato com a prima da vítima, novamente se passando por ela, contaram que ela estava sem acesso as contas e pediram dinheiro emprestado.

Acreditando ser a prima em apuros, a mulher que reside em Cuiabá foi até o banco e realizou o deposito de R$ 1.400.

A vítima conseguiu cancelar o número e o WhatsApp foi desativado, no entanto, para sustentar a mentira, os criminosos hackearam o aplicativo da prima e entraram em contato com a amiga da vítima de Primavera do Leste, a que depositou os R$ 3 mil, dizendo que em poucos minutos estaria no banco para resolver toda a situação da conta e devolver o valor possivelmente emprestado.

“Na hora do nervoso ninguém pensa e gerou este grande transtorno. Fui rápida em perceber o golpe e tentei agir para que ninguém que me conhece fosse prejudicada, mas eles são muito estruturados e rápidos. Fizeram tudo isso em menos de duas horas”, lamenta a vítima.

Através deste tipo de crime, os criminosos conseguem apenas o acesso ao WhatsApp. As demais informações que estão no aparelho celular não são acessadas.

A vítima deixa o alerta aos demais cidadãos de Primavera do Leste para que não caiam no golpe e solicita para que sempre verifiquem as informações, até mesmo quando pedirem dinheiro emprestado. “Sei que as pessoas têm boa vontade, mas tentem ligar para confirmar antes de qualquer ação”, finaliza.

 SEGURANÇA DO APLICATIVO

De acordo com o site do WhatsApp, a Verificação em duas etapas é um recurso opcional para adicionar ainda mais segurança para a conta. Ao ativar esta função, qualquer tentativa de verificação do número de telefone no aplicativo terá de ser acompanhada por um PIN de seis dígitos criado por você.

Para ativar a verificação em duas etapas, abra o WhatsApp e vá até: Configurações > Conta > Verificação em duas etapas > Ativar.

Ao ativar este recurso, haverá a opção de inserir um endereço de e-mail. Este e-mail será utilizado para que o WhatsApp possa lhe enviar um link para desativar a verificação em duas etapas caso você esqueça o PIN. Ele também servirá como uma proteção à conta.

O aplicativo alerta que caso a pessoa receba um e-mail para desativar a verificação sem ter solicitado, para não clicar ou fornecedor os dados, pois pode se tratar de um golpe.

A troca de conta do WhatsApp entre aparelhos diferentes com frequência, em um determinado momento, a pessoa poderá ser bloqueada e não poderá verificar o número no aplicativo novamente.

 

OUTRAS DICAS DO APLICATIVO

O aplicativo dá algumas dicas para que o usuário mantenha a segurança em várias etapas, como: controle dos ajustes de privacidade é possível definir foto de perfil, visto por último e recado, para que sejam vistos por todos, apenas contatos ou por ninguém; bloqueie usuários desconhecidos - impeça que alguém entre diretamente em contato com você através de uma conversa; solicitar dados da conta - obtenha um relatório com seus dados e configurações de conta do WhatsApp; limpe as conversas - apague todas as mensagens de uma conversa individual ou em grupo, ou todas as mensagens de todas as conversas de uma só vez; desative os recibos de leitura - escolha se quer que alguém veja que você leu sua mensagem; apagar e denunciar como spam - denuncie spam dentro do próprio aplicativo; sair do grupo - saia de um grupo quando quiser.

POLÍCIA CIVIL INVESTIGA GOLPES

A Polícia Civil de Primavera do Leste tem conhecimento sobre esta nova modalidade de golpe está sendo aplicada e já deu início às investigações. Nos últimos dias, três pessoas já procuram a delegacia para denunciar.

A delegada titular da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos, Anamaria Machado, diz que possivelmente estes estelionatários sejam pertencentes ao sistema penitenciário e que, mesmo com as fiscalizações dentro das unidades, conseguiram uma forma de burlar o sistema e aplicar o golpe.

Para aquelas vítimas que perderam dinheiro, Anamaria esclarece que é difícil fazer a restituição do valor perdido, pois algumas vezes a con ta utilizada para o deposito pode ser clonada e não ter ligação alguma com o proprietário.

“O alerta é para que todos tenham cuidado ao receber alguma ligação, mensagem e principalmente quando pedirem dinheiro por WhatsApp. Antes de qualquer coisa, tenta entrar em contato com a pessoa e se não conseguir, ligar para alguém próximo. Estas informações precisam ser confirmadas para evitar mais transtornos e fazer mais vítimas”, alerta a delegada.

A Polícia solicita para que as pessoas que tenham sido vítimas de qualquer golpe, procurem a delegacia e registrem a ocorrência, pois a partir disto irão conseguir evidências para investigar os casos e tentar chegar até os criminosos.

A população pode fazer denúncias à Polícia Civil através do 197.

 

POLÍCIA FEDERAL JÁ PRENDEU QUADRILHA PELO MESMO GOLPE

 

Em julho deste ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação chamada Swindle. Os investigadores conseguiram prender um grupo criminoso que clonou os celulares de autoridades brasileiras; entre elas, o deputado estadual Adriano Sarney, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e do ex-ministro do Desenvolvimento Social e Agrário Osmar Terra.

Os criminosos tomavam as contas de WhatsApp das vítimas e faziam-se passar pelos reais donos dos números. Da mesma forma que ocorreu em Primavera do Leste.

Segundo a PF, a Polícia Civil do Maranhão fez parte da investigação que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva no Maranhão e Mato Grosso do Sul.

Uma das vítimas relata que em contato com a operadora, a atendente informou que a troca de número no momento de fazer a ligação é possível através de aplicativos ou aparelhos mais antigos, que têm está opção nas configurações.
Em uma pesquisa na internet, nossa equipe de reportagem conseguiu acesso fácil a um aplicativo que realiza a troca do número para quando for realizar chamadas.
Em 2013, um destes aplicativos causou polêmica, já que ele permite gravar ligações, alterar a voz em tempo real e mudar o número do identificador de chamadas, dessa forma ninguém saberá quem está ligando.
Nas lojas virtuais é possível encontrar alguns aplicativos para download de forma gratuita, mas para realizar as chamadas é necessário comprar créditos. Há outras formas de adquirir o programa sem ter que pagar, mas são riscos que cada usuário está disposto a correr, já que podem danificar os aparelhos.

 

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