PRIMAVERA DEBAIXO D´ÁGUA /

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018, 10h:31

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Alagamentos voltam a ser registrados; inclusive em pontos que já passaram por obras

Locais que nunca alagaram também foram prejudicados.


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Jaqueline Hatamoto

No dia cinco de outubro de 2018, a Prefeitura utilizou-se das redes sociais e do site do poder público para divulgar a resolução parcial dos alagamentos na Rua do Comércio com a Rua Miasotis, na entrada do condomínio Pioneiro. Porém, em menos de 17 dias o local estava alagado novamente.

Um comerciante da região, que vem sendo afetado há anos, através de uma rede de interação, mantida pelo Jornal O Diário, publicou vídeos e fotos e escreveu “Olha que beleza minha loja debaixo d’agua”, seguido de fotos do estoque da loja cheio de água.

De acordo com o comerciante o problema já se arrasta há 20 anos, mesmo já tendo sugerido a solução.  “E só fazer o que venho pedindo a anos que é colocar tubulação na BR, que acaba esse problema, mas tudo vira em promessa”, desabafou.

Na época que anunciou que o problema havia sido resolvido, o poder público disse que havia nivelado as caixas de capitação de água que ficam ao lado da Construmotta que estavam em desnível e impedia a passagem da água. “Nos próximos dias o manilhamento será desviado, do outro lado, na Avenida São Paulo, para que a água não caia na mesma caixa de dissipação, o que deve melhorar ainda mais a drenagem. A expectativa é que o alagamento na região tenha fim”, disse o prefeito Leonardo Bortolin em vídeo divulgado nas redes sociais.

Como o local voltou a alagar, entramos em contato com a Prefeitura, para saber o que teria acontecido de errado com a obra, e quanto foi investido no local até o momento.

Por nota o poder público respondeu que na medida paliativa foram gastos o valor de R$ 5 mil, e que “desde o começo da obra nas caixas de capitação de águas pluviais, ao lado da empresa Construmota, foi informado que esta é uma medida paliativa que visa reduzir os danos causados pelas chuvas, e não que o problema seria solucionado”, disse o poder público através de nota encaminhada via Assessoria de Imprensa.

A Prefeitura reconhece que para resolver, de vez, o problema seria necessário começar a obra do outro lado da BR 070, na Avenida São Paulo, passando por debaixo da BR 070, uma obra que deve ser planejada com pelo menos um ano de antecedência. “O manilhamento precisará ser desviado para que a água que se acumula ao lado da Construmota, não caia na mesma caixa de dissipação e tenha condições de escoar de forma mais rápida. Além disso, a solução definitiva para esta região seria a passagem de novas manilhas de maiores diâmetros por baixo da rodovia BR-070, uma obra que precisa ser prevista com um ano de antecedência e de aprovação da Câmara. A obra custaria mais de R$ 1 milhão ao município”, ressalta o poder público.

Perguntado sobre o motivo pelo qual a medida adotada pela prefeitura não teria funcionado e as ruas da cidade voltaram a alagar, a resposta da prefeitura foi que “Neste mês de outubro o volume de chuva está acima do previsto e é comum, para uma cidade que sofre com o alagamento há mais de duas décadas, que as medidas paliativas realizadas nesse primeiro momento de gestão não sejam o esperado pela população. Essas obras demandam tempo e a Prefeitura pede a compreensão dos habitantes, pois trabalha para solucionar o problema o mais breve possível.

Além disso, nos desculpamos pelos eventuais transtornos causados na realização das obras de drenagem e informamos que estas intercorrências são inevitáveis para a efetivação dos trabalhos.

A Prefeitura informa ainda que servidores da Secretaria de Infraestrutura estiveram, após a chuva da segunda-feira (22), em pontos da cidade que nunca alagaram, o que demonstra que o volume de chuva está acima da expectativa”.

 

OUTROS PONTOS

Além da entrada do Bairro Pioneiro, o cruzamento da Avenida Duvílio Ometto com a Rua do Comércio, Avenida Porto Alegre e Viaduto da MT 130 também ficaram alagados.

Para acabar de vez com o problema, o poder público iniciou em agosto deste ano uma obra de drenagem. Os serviços começaram pela Avenida Campo Grande e a previsão é que termine em 180 dias. A empresa responsável pela obra é a Prencon. Até o momento 2,6 mil metros da obra que tem 8 mil metros já foram concluídos. Estima-se que a obra custe aproximadamente R$ 2,5 milhões. Recursos do governo federal. 

 

FORTE CHUVA DANIFICA PAVIMENTAÇÃO

O asfalto da Avenida Campo Grande ficou com diversas rachaduras após a forte chuva que aconteceu na tarde da segunda-feira (22). Recentemente o local recebeu obra de drenagem pluvial. De acordo com o engenheiro responsável, Fernando Bragagnolo, a tubulação ficou cheia e gerou uma pressão, fazendo com o que a pavimentação se danificasse. Os reparos já estão sendo iniciados.

O engenheiro não descartou a possibilidade do projeto ser revisto.

 

PLACAS ARRANCADAS E MUITOS PREJUÍZOS

Carros presos em alagamentos, residências e comércios alagados, esses são alguns dos registros de prejuízos que sempre são registrados em Primavera do Leste.

Um fato curioso foi registrado no cruzamento da Avenida Duvílio Ometto com a Rua Olivério do Porta. Na calçada várias placas de veículos provavelmente de carros que tentaram passar pelo local e perderam a identificação em meio as águas. Para ajudar, um morador juntou as placas na calçada.

 

SUGESTÃO

O empresário Luiz Dalla Rosa, entrou em contato com a equipe do Jornal O Diário, para sugerir uma possível solução para os alagamentos da região do Construmota. “Basta eles emendarem a tubulação que tem aqui no distrito industrial atrás do Posto Alvorada, quando chove a água se acumula aqui e depois desce toda para aquela região (Construmota), então se a prefeitura vir aqui, emendar essa tubulação que já está pronta e fazer uma boca de lobo, a água vai descer para o lugar certo. Talvez isso diminua um pouco o volume de água”, sugeriu Dala Rosa.

 

VÍTIMAS DE ALAGAMENTOS TÊM DIREITO A INDENIZAÇÃO

O que muita gente não sabe é que os prejuízos ocasionados pelas enchentes podem ser ressarcidos pelo Poder Público, conforme as leis 10445/07, da Política Nacional de Saneamento Básico, o Estatuto das Cidades - Lei 10257/01 e a Lei de Parcelamento do Solo Urbano - Lei 6766/07. Quem teve o bem destruído ou algum tipo de prejuízo por conta das inundações, e tem como comprovar que houve descaso do Poder Público na manutenção das vias e no controle de áreas de risco, pode entrar na Justiça do Estado ou município, que devem responder pela ação ou omissão que produza danos às pessoas.

Quem pode contar com o seguro particular terá de arcar com todo o prejuízo e, depois, exigir indenização da prefeitura, do governo estadual ou até mesmo da União.

Para entrar com a ação é preciso reunir o máximo de provas – fotografias do imóvel afetado, carro ou móveis destruídos, testemunhos de vizinhos, Boletim de Ocorrência e reportagens de jornais. O pedido de indenização não se limita às perdas materiais. Podem ser reclamados também danos morais e os lucros cessantes (o que a pessoa deixou de ganhar com seu trabalho, por exemplo) ocasionados pela enchente.

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