FESTIVAL VELHA JOANA /

Segunda-feira, 05 de Novembro de 2018, 08h:26

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TOADA DOS ESQUECIDOS

Proposição artística: Toada dos Esquecidos. Grupo Caos de Teatro (MT) Texto por Talita Figueiredo | Revisão por Joelson Jogosi | Fotografia por Fred Gustavo.


Imagem de Capa
Talita Figueiredo

A primeira noite do festival encerrou com a apresentação de Toada dos Esquecidos, do Grupo Caos de Teatro. A peça é baseada em uma novela de um grande expoente da literatura mato-grossense, o escritor Ricardo Guilherme Dicke, falecido em 2008. A história foi adaptada para o teatro por outro importante artista, o dramaturgo Luiz Carlos Ribeiro, que nos deixou este ano. O grupo de Primavera do Leste, ao levar à cena essa obra, revive o trabalho desses autores e evidencia a potência da arte mato-grossense, que se consolida nas letras e nos palcos.

A montagem do Grupo Caos é vibrante, enérgica, cheia de referências ao momento político e cultural da atualidade. Na trama, um grupo de assaltantes em fuga leva pelas estradas de nosso estado um carregamento de ouro roubado, a bordo de uma Kombi. Eles usam máscaras e codinomes, de modo que entre eles se mantenha o anonimato sobre suas identidades. Em sua montagem, o Grupo Caos utiliza belíssimas máscaras do tradicional Bloco dos Caretas, do carnaval de Guiratinga, para compor a caracterização dos personagens. Os disfarces monstruosos se tornam ainda mais macabros por meio do recurso do teatro de sombras, um ponto alto da encenação. Os atores se alternam entre momentos diante do público e momentos em que se colocam por trás de um tecido branco, onde suas sombras, projetadas com grande precisão, criam imagem visuais irresistíveis.

O elenco, embora jovem, possui grande desenvoltura. As vozes, potentes em suas nuances, passaram pelo desafio de tentarem se sobrepor às distorções provocadas pelos microfones e máscaras. As partituras corporais consistentes contribuíram para a construção de um clima de insanidade que compõe essa história trágica sobre riqueza e morte. Nas caretas e codinomes demoníacos, já se apresenta um prenúncio do fracasso da trajetória imoral dos criminosos. Buscam a riqueza, mas só obtêm desconforto e desconfiança. O espetáculo materializa na figura de um Batman lambadeiro uma espécie de sombra da maldade que ronda o bando e que, astutamente, provoca a desordem e ri da má sorte dos bandidos. É desse personagem uma das frases que parece sintetizar o que a obra repercute: “Que mundo horrível! ”, diz enquanto sorri, zombando dos personagens e de nós, o público.

Texto escrito a partir da programação do XII Festival Velha Joana, em Primavera do Leste (MT), no período de 01 a 11 de novembro de 2018.

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