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Quarta-feira, 05 de Dezembro de 2018, 07h:00

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Quem é a doula?

A doula é uma profissional treinada e capacitada para servir a mulher durante o ciclo da gestação e puerpério.


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Ariane Liamara Braun

A palavra Doula surgiu do grego e significa “Mulher que serve”. A doula é uma profissional treinada e capacitada para servir a mulher durante o ciclo da gestação e puerpério.

Ela orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando.

Antigamente os nascimentos eram marcados pela presença da parteira e das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós que acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Hoje os partos acontecem nos hospitais e maternidades rodeado por especialistas: o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. Sendo assim, o cuidado com o bem-estar emocional da parturiente acabou ficando perdido, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando à luz e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.

O resgate da doula veio justamente para preencher esta lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que passa a ser incentivada com respaldo científico.

O estudo “Mothering the mother” (Klaus e Kennel, 1993) apontou os resultados globais da presença da doula no trabalho de parto e parto, como pode ser visto abaixo:

·         Redução de 50% nos índices de cesariana

·         Redução de 25% na duração do trabalho de parto

·         Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural

·         Redução de 30% no uso de analgesia peridural

·         Redução de 40% no uso de ocitocina

·         Redução de 40% no uso de fórceps

Revisões do grupo científico da Cochrane Collaboration’s Pregnancy and Childbirh Group (1998 e 2010) também demostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos nas 4ª a 8ª semanas após o parto:

·         Aumento no sucesso da amamentação

·         Interação satisfatória (vínculo) entre mãe e bebê

·         Satisfação com a experiência do parto

·         Redução da incidência de depressão pós-parto

·         Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima

·         Melhora nos resultados obstétricos

·         Reduz as taxas de intervenções

·         Promove saúde psicoafetiva da mãe

Os estudos desta revisão concluem que “Devido aos claros benefícios e nenhum risco conhecido associado ao apoio intra-parto, todos os esforços devem ser feitos para que todas as mulheres em trabalho de parto recebam apoio, não apenas de pessoas próximas, mas também de acompanhantes especialmente treinadas. Este apoio deve incluir presença constante, fornecimento de conforto e encorajamento”.

Isso significa que se a mulher tem o apoio de uma doula durante o trabalho de parto de maneira contínua (isto é, estar ao lado da mulher), esta mulher é estatisticamente mais propensa a ter resultados mais satisfatórios com sua experiência de parto.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde no Brasil (MS) incentivam o apoio da doula no parto.

"O apoio físico e emocional contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 (nota dada ao bebê nos primeiros minutos após nascer) e menos partos operatórios" (OMS, 1996; MS, 2001).

O que a doula faz?

·         Oferece suporte emocional através da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranquilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorece a manutenção de um ambiente tranquilo e acolhedor, com silêncio e privacidade.

·         Oferece medidas de conforto físico através de massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentações que auxiliem o progresso do trabalho de parto e diminuição da dor e desconforto.

·         Oferece suporte informativo explicando os termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar física e emocionalmente para o parto.

·         A doula se faz importante até mesmo num parto cesárea, onde continua dando apoio, conforto e ajudando a mulher a relaxar e tranquilizar-se durante a cirurgia.

·         Pode estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e com a amamentação.

 

 O que a doula NÃO faz?

·         Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos.

·         Não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

·         Não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.

·         Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente. Nesse caso a doula orienta o pai ou acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher.

São muitas as vantagens para a família de um acompanhamento com doula desde a gestação até o pós-parto. Já dizia John H. Kennell, MD: “Se a doula fosse um remédio, seria antiético não receitar”.

Ariane Liamara Braun

Enfermeira Mestre e Doula

@doularii

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