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Quinta-feira, 16 de Março de 2017, 08h:00

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Meu passarinho voou! Ops.. meu filho foi estudar fora!

É uma fase de desafios para os dois lados. Envolve mudanças intensas


PERSIO SOUZA
Imagem de Capa
Fabiana Barbosa de Souza

Ai, Fabiana, não sei se vou aguentar. Foi o que ouvi de várias mães nestas últimas semanas que estão enfrentando a saída dos filhos para estudarem fora. Até eu senti um beliscãozinho por dentro, quando a Gi, filha da minha amiga, que me adotou como segunda mãe, me informou que iria no final desta semana. “Já? Como assim? Não estou preparada psicologicamente”, brinquei.

Em todas as conversas que tive com mães, senti nelas o sofrimento, a dor da separação, a insegurança de saber se “seu passarinho iria saber voar direitinho”, o receio da solidão, a casa vazia.

É uma fase de desafios para os dois lados. Envolve mudanças intensas.

Os filhos têm ansiedades, muitos sonharam com este momento, mas não sabem como será. Vão precisar se adaptar com o novo, com cuidados com a casa, com transporte para a escola ou faculdade, em pagar as contas, lidar com a nova vizinhança e a nova realidade. É uma fase em que você descobre que não existe mágica: a roupa precisa ir para a máquina de lavar, a conta de luz precisa se paga e a mesa não se põe sozinha. Normalmente jovens sofrem, mas se adaptam mais rapidamente, tudo é novidade, logo fazem novas amizades e sentem o prazer de voar.

Já os pais, em especial as mães, costumam ter um pouco mais de dificuldade em se adaptar a esta nova fase. É como se um novo cordão umbilical se cortasse. E nisto há dor. Alguns autores comparam esta fase também ao luto. Uma espécie de morte daquela configuração:  filho morando em casa. Pois, a probabilidade desta configuração não mais existir é alta. Forma no mínimo quinze anos habituados com a presença daquele filho ou filha dentro de casa, bagunçando, conversando, brincando, brigando, estimulando. Tudo vai fazer falta. Exige um tempo de readaptação. É natural sentir solidão, tristeza, dor, preocupação, saudade e mais uma infinidade de emoções. Acolha cada uma delas. Receba-as em seu peito e se observe. Não lute contra. Permita-se ficar triste. Faz parte desta fase inicial*.

Por um outro lado, é também uma fase de conquistas. É momento de perceber que você cumpriu seu papel, que já ofereceu toda a base necessária para que seu passarinho possa alçar os mais belos voos. Afinal de contas, já imaginou um passarinho a vida toda no ninho, sem aprender a voar? Seria triste. O espaço no ninho ia ficar pequeno, pois ele cresceu, e provavelmente não se sentiria bem vendo os outros pássaros voando. Por mais dolorido que seja, um filho vem ao mundo para construir seu destino, realizar seus sonhos e fazer sua própria história. Você mãe, você pai, deu todo o amor e ensinou o que pode ao seu passarinho. Agora é hora de assistir de camarote este voo lindo que está só começando!! 

 

*OBS: Se persistirem os sintomas procure ajuda profissional.

 

Fabiana Barbosa de Souza

 

Psicoterapeuta Brainspotter, Analista do Comportamento pela UEL, Executive Coach pela SBC, e atua a 14 anos com psicoterapia e orientação de pais

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