Domingo, 30 de Agosto de 2015, 14h38
o caminho da vida
O caminho da vida
Uma analogia muito interessante sobre o nosso físico, emoções, razão, saúde e doenças

Sérgio Antonio Costenaro
Primavera do Leste - MT

 

Os orientais nos propõem uma imagem muito interessante sobre o caminho da vida. Somos, como assim o dizem, uma carruagem que representa o nosso corpo físico e que se locomove num caminho que simboliza o caminho da vida.

 

Este caminho é de terra e inclui buracos, lombadas e rastros deixados pelas rodas e valas nas laterais. Os buracos e lombadas representam as dificuldades e os rastros são os esquemas já existentes que retomamos dos outros e os reproduzimos. As valas, mais ou menos profundas, representam as regras, os limites que não devemos ultrapassar, sob pena de acidente. Esse caminho, às vezes, atravessa zonas de neblina ou de tempestades que impedem a visibilidade. Essas são as fases da vida em que temos dificuldade para ver com clareza ou prever algo porque não podemos enxergar adiante.

 

Essa carruagem tem quatro rodas, duas na frente (os braços) que fornecem a direção e duas atrás (as pernas) que sustentam e transportam a carga. É puxada por dois cavalos que simbolizam as emoções que nos impulsionam ou até mesmo nos conduzem na vida. A carruagem é conduzida por um cocheiro que representa o nosso consciente. No interior da carruagem há um passageiro que não vemos – trata-se do nosso guia interior.

 

Nossa carruagem pessoal segue no caminho da vida, aparentemente dirigida pelo cocheiro (na verdade quem a conduz é o passageiro que lhe deu a destinação). Da qualidade da sua vigilância e da sua condução vão depender a qualidade e o conforto da viagem (existência). Se ele maltratar os cavalos (emoções) esses vão se irritar e, num dado momento, a carruagem correrá risco de acidente, da mesma maneira que as nossas emoções, às vezes, nos conduzem a praticar atos desprovidos de qualquer razão. Se o condutor estiver relaxado demais, se a vigilância lhe escapar, a atrelagem vai se encaminhar pelo rastro (reprodução dos esquemas parentais, por exemplo) e seguiremos, então, as pistas dos outros, correndo o risco de cair na vala se eles assim o fizeram. Da mesma forma, se não mantiver a vigilância, o cocheiro também não saberá evitar os buracos, as lombadas, as depressões (golpes, erros da vida) e a viagem será muito desconfortável.

 

Se ele adormecer ou não segurar as rédeas, serão os cavalos (emoções) que dirigirão a carruagem. Quando o cocheiro conduzir rápido demais, forçar demais, se os cavalos se arrebatarem, é a vala, o acidente que para com maior ou menor violência a atrelagem e provoca alguns estragos (acidentes e traumatismos).

 

Às vezes, uma roda ou uma peça da carruagem se solta (doença), seja porque ela era frágil, seja porque passou em cima de muitas lombadas e entrou em muitos buracos (acumulação de atitudes e de comportamentos inadequados). É preciso, então fazer o conserto e, de acordo com a gravidade da pane, poderemos fazer o reparo nós mesmos (repouso, cicatrização), chamar um técnico (medicina alternativa, natural) ou, se for mais grave, um mecânico (medicina moderna). Mas, de qualquer forma, seria importante que não nos contentássemos com a troca da peça. Será de suma importância refletir sobre a condução do cocheiro e a maneira como vamos mudar nosso comportamento, nossas atitudes em relação à vida, se não quisermos que a “pane” se repita.

 

Às vezes, a carruagem atravessa áreas de pouca visibilidade, ou seja, não podemos ver exatamente por onde vamos, mas podemos nos preparar para a sua chegada por antecipação. Devemos, então, reduzir a marcha, descobrir para que lado o caminho vira e seguir a curva, segurando bem os cavalos (dominar nossas emoções quando vivemos uma fase de mudanças – intencional ou não). Nessa fase, devemos ter total confiança no caminho da vida (leis naturais, ensinamento, fé) e no mestre (nosso guia interior) que escolheu esse caminho. Nessas fases da vida é que estamos perdidos no “meio do nevoeiro” e não sabemos para ir. Nesses momentos, não podemos fazer nada além de deixar a vida nos mostrar a rota.

 

Às vezes, enfim, chegamos a cruzamentos e bifurcações. Se o caminho não estiver sinalizado, não sabemos que direção tomar. O cocheiro (nosso consciente) pode tomar uma direção ao acaso. O risco de se enganar e mesmo de se perder, é grande. Quanto mais o cocheiro estiver seguro de si, persuadido de que tudo conhece e tudo domina, mais vai querer determinar que direção seguir e o risco será grande. Estamos vivendo numa época em que a razão e o intelecto creem poder resolver tudo. Se ele for, ao contrário, humilde e honesto consigo mesmo, perguntará ao passageiro (mestre ou guia interior) que estrada tomar. Este sabe aonde vai, conhece a destinação final. Poderá indicá-la ao cocheiro, que a seguirá, contanto que este tenha sido capaz de ouvi-lo.  Na realidade, a carruagem faz muito barulho enquanto roda e é preciso parar para que se possa dialogar com o mestre ou guia interior. São as pausas, os retiros que fazemos para nos reencontrarmos, pois, às vezes, nos perdemos. Isso nós chamamos de terapia – o tempo que dedicamos exclusivamente a ficarmos frente a frente com o nosso guia interior, com a nossa essência. Graças a esses momentos, poderemos compreender facilmente de que forma as coisas se passam na nossa vida, determinar quem somos e o que realmente queremos nesse caminho da vida.

 


Fonte: Clique F5
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