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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017, 14h:00

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A ficha de investigações do delator Joesley Batista é longa e antiga

Empresário e sua processadora de carne bovina se tornaram alvo de ao menos cinco operações da Polícia Federal em menos de um ano


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A maior e mais nova crise política do País tem nome, RG e CPF: Joesley Batista. O executivo em questão preside a holding J&F, controladora de empresas tão distintas e famosas como a JBS (dona das marcas Friboi e Seara) e a Eldorado, do ramo de celulose. O empresário é o responsável pela mais recente crise do governo Michel Temer (PMDB).

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Joesley Batista é sócio do grupo que controla a JBS, dona da Friboi e ponto central do escândalo no Planalto
Ayrton Vignola/ Estadão Conteúdo 14.03.2011
Joesley Batista é sócio do grupo que controla a JBS, dona da Friboi e ponto central do escândalo no Planalto


Nos últimos dias o nome de Joesley Batista ganhou notoriedade em todos os cantos do País por ser o grande pivô da denúncia contra o presidente, mas essa não é a primeira vez que o empresário se envolve em escândalos do tipo. 

Joesley e seu irmão Wesley Batista são alvos de ao menos cinco operações da Polícia Federal em menos de um ano. Na última delas, a Operação Bullish, deflagrada na semana anterior, o empresário é investigado por transações envolvendo a JBS e o BNDES que teriam causado prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos. Wesley foi levado coercitivamente para depor.

Na Lava Jato, o empresário é investigado nas operações Sépsis, Greenfield e Cui Bono. As investigações apuram se ele teria realizado o pagamento de propina para liberar recursos do FGTS e investimentos de fundos de pensão de estatais em suas empresas.

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A JBS também esteve envolvida nos escândalos do setor alimentício, uma das gigantes da operação Carne Fraca, revelada no início de 2017. Além de tentar mudar a data de validade de seus produtos, a empresa também foi apontada em um esquema de corrupção entre frigoríficos e fiscais para acelerar a liberação de produtos.

Influente no mundo político

A influência de Joesley Batista ia além do setor de alimentos. O conglomerado ainda tem marcas como Havaianas, Minuano e do banco Original. E essa participação ativa no ramo dos negócios fez com que o empresário logo aparecesse no cenário político, principalmente ao fazer doações bastante generosas a partidos durante as eleições. Em 2014, doou mais de R$ 50 milhões à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff.

E ele logo passou a estender sua influência sobre as decisões do próprio Planalto. Logo após a eleição, quando Dilma nomeou a senadora Kátia Abreu (PMDB) para o Ministério da Agricultura, o empresário foi até Michel Temer demonstrar seu descontentamento com a indicação, principalmente após a então ministra ter dito que a JBS adotava práticas monopolistas.

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Crescimento no mercado

Joesley nasceu em Formosa, pequena cidade de Goiás, e tinha o costume de acompanhar seu pai nos negócios da família que fundou nos anos 50 a Casa da Carne Mineira. A empresa se aproveitou da construção de Brasília e abastecia os refeitórios das grandes empreiteiras envolvidas nas obras da capital federal.

Mas foi apenas na gestão de Joesley que o grupo se tornou internacional e que a marca consolidou o conglomerado como o maior processador de carne bovina do mundo. Foram várias as aquisições, entre elas a compra da americana Swift e da Pilgrim’s Pride, também dos EUA. No Brasil, Joesley capitaneou a compra de todas as unidades de abate e industrialização de carne bovina do grupo Bertin.

As aquisições do grupo tiveram ajuda do BNDES, foram mais de R$ 5 bilhões em apoio financeiro. Desde sua consolidação internacional, o JBS viu seu faturamento anual saltar de R$ 4 bilhões (2007) para mais de R$ 160 bilhões.

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Joesley e seu grupo também são donos de um dos mais duros golpes político-econômico que o País já recebeu, mas curiosamente logo após revelar os áudios da sua deleção, o empresário e a família já estavam no apartamento que possuem em Nova York, numa iniciativa combinada com a Justiça, depois da alegação de ameaças de morte.

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