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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019, 13h:34

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Batata-doce surge com potencial para transformar a vida de pequenos agricultores

Após 15 anos de pesquisa foi possível comprovar a eficiência da batata-doce industrial como matéria-prima ecologicamente correta para geração do Etanol Social.


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Paulo Pietro

Esteve em Campo Verde na manhã desta terça-feira (16), o pesquisador Aldo Marcos Silva, que é renomado no assunto de biocombustíveis, fazendo parte da implantação de pequenas usinas de etanol em municípios de Mato Grosso, Tocantins , Rio de janeiro entre outros estados. 

A palestra foi surpreendente, todos os que participaram ficaram vidrados na explanação do Professor Aldo, já que se trata de uma tecnologia inovadora e com potencial energético impressionante.     

A tecnologia foi aperfeiçoada por 30 pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) para ser utilizada por agricultores familiares. Após 15 anos de pesquisa foi possível comprovar a eficiência da batata-doce industrial como matéria-prima ecologicamente correta para geração do Etanol Social. Segundo Aldo “mesmo eu como pesquisador não imaginava que conseguiriam resultados tão surpreendentes, no início desta pesquisa nosso objetivo era chegar à produção de uma batata-doce que tivesse a mesma eficiência energética da cana de açúcar, mas conseguimos dobrar esse coeficiente e hoje já triplicamos isso, esse trabalho é inovador, pois com esse produto conseguimos rodar uma usina o ano inteiro sem ter que parar nas entressafras, já que a batata produz o ano inteiro .”

Vale ressaltar que esta batata-doce industrial, não é a mesma batata-doce do consumo humano, ela é riquíssima em amido, foi desenvolvida através de anos de pesquisa e melhoramentos genéticos, mas a facilidade de plantio e a lida é a mesma de qualquer outro tubérculo, ou seja, muito fácil de se produzir com custos baixos.  O que facilita a produção até mesmo em pequenas áreas, podendo ser muito bem aproveitada em assentamentos ou núcleos de agricultura familiar, por isso leva o selo de Etanol Social.      

A ideia é fomentar a formação de uma usina como esta em Campo Verde, um dos municípios que possuem mais assentados e pequenos agricultores do Brasil, além de terra fértil e associações de agricultores e assentados bem formadas, que podem se reunir para manter uma pequena usina.

O prefeito de Campo Verde Fábio Schroeter esteve no plenarinho acompanhando a palestra do professor e se disse muito interessado no assunto, “é realmente um negócio fantástico, estamos surpresos com essa alternativa, nosso município se encaixaria perfeitamente como produtor de batata-doce e consequentemente de etanol, nós já pedimos um estudo inicial para o professor, por que temos sim o interesse nesta nova matriz energética.”

O secretário de desenvolvimento econômico de Campo Verde Donizete Restani, também acompanhou a palestra e acredita que “se o projeto vingar no município seria fantástico, temos tudo para produzir e se beneficiar desse projeto, gerando divisas para nosso município que vão muito além do campo somente, nós já agendamos uma visita a um dos locais onde o projeto já funciona e eu fiz questão de estar presente.”

Como explica o pesquisador responsável por implantar o projeto em vários municípios, Aldo Marcos Silva, a descoberta é considerada um ícone de bioenergia, por garantir o etanol mais barato, devido ao baixo custo de produção e potencial energético gerado pelo amido do legume. "A batata doce tem diversas vantagens, como por exemplo, ser renovável e não gerar resíduos e queimadas, além do baixo custo de produção, praticidade no plantio e colheita."

O cultivo da batata-doce possibilita também incrementar a nutrição animal, com o aproveitamento das ramas como fonte proteica, fortalecendo outras cadeias produtivas, como da carne e leite. Para Silva, a cultura pode ser incrementada pelos agricultores familiares do Estado, melhorando a renda das propriedades.   

Se tudo correr como o esperado segundo o pesquisador, em um hectare de batata-doce, consegue se produzir cerca de 3 mil litros de etanol e ainda 3 toneladas de ramas, que são extremamente nutritivas na engorda de animais. O custo para a construção dessa usina segundo Aldo também não é nenhum absurdo, ela é modular e conforme a produção vem aumentando ela pode ser expandida.

Essa visita do professor Aldo em Campo Verde, foi possível somente devido ao apoio do presidente da câmara Solivan Fonseca, ele já conhecia o pesquisar e sabia sobre a eficácia do projeto. “Eu conheço esse projeto do Etanol Social há dois anos através do professor Aldo, eu estive acompanhando os experimentos desse projeto em Sorriso, em Poconé e também com a Secretária Estadual de Agricultura, estava tentando há algum tempo agendar essa reunião, que agora foi possível devido à agenda do professor. Tenho certeza que se implantado esse projeto aqui em Campo Verde todos vão ganhar muito, principalmente os pequenos produtores. Fico feliz pelo prefeito Fábio já ter acolhido a ideia e pedido esse estudo inicial. Sei que é um pequeno passo, mas é muito importante, nós temos uma grande população de moradores que sobrevivem da agricultura familiar na cidade e com a entrada desse projeto podem ter um futuro brilhante pela frente,” finalizou o presidente.

Com essa alternativa os produtores conseguiriam fechar um ciclo do plantio ao comércio, sem atravessadores, que fariam a renda do pequeno produtor se tornasse muito mais valiosa.    

Além disso, Aldo trouxe toda uma planilha de custos de um outro projeto realizado recentemente para usina da cidade de Campos no Rio de Janeiro, os agricultores e autoridades que estiveram presentes analisaram a planilha e gostaram do que viram, até mesmo o manejo da batata-doce é totalmente mecanizado, com custo que é considerado baixo para nível de produção, a alternativa poderia ser desses equipamentos ser comprados, ou ficar sob a responsabilidade de uma associação, dessa maneira todos poderiam se beneficiar, já que diferentemente de outras culturas, a batata-doce pode ficar na terra por um período maior sem ter problemas na sua qualidade.   

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